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Após depoimento de Palocci, Lula volta a encarar Moro

13 de Setembro de 2017 03:48
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Após ser condenado a nove anos e meio de prisão por Sérgio Moro no processo relativo ao tríplex do Guarujá, Lula volta a encarar o juiz responsável pela Lava Jato em Curitiba em novo depoimento. O ex-presidente prestará esclarecimentos sobre a acusação de ter recebido propina na forma de um terreno em São Bernardo, onde seria erguida a sede do Instituto Lula, e de uma cobertura vizinha à atual residência do ex-presidente.

O depoimento ocorre uma semana após Antonio Palocci implicar o ex-presidente. Segundo o ex-ministro, as denúncias contra Lula no caso "são verdadeiras". De acordo com o Ministério Público Federal, a Odebrecht pagou 12,4 milhões pelo terreno, mas a obra não foi executada. Conforme a acusação, Lula teria recebido como vantagem indevida um apartamento vizinho ao que mora.

Além de Lula, está previsto para esta quarta 13 o interrogatório de Branislav Kontic, ex-assessor de Palocci. Os três são réus no processo, que também inclui Marcelo Odebrecht, herdeiro do grupo empresarial, Paulo Melo, ex-diretor da empreiteira, Glaucos da Costamarques, dono do apartamento vizinho ao de Lula em São Bernardo, e Roberto Teixeira, advogado e amigo do petista.

O depoimento desta quarta-feira 13 tem início previsto para as 14h na sala de audiências 2 da Justiça Federal do Paraná. Os vídeos do encontro entre Lula e Moro devem estar disponíveis ao público à noite. A expectativa é de que cerca de 2,5 mil cidadãos e 40 ônibus desloquem-se para a capital paranaense.

Às vésperas do primeiro depoimento de Lula a Moro, realizado em maio, a concentração foi maior, com uma caravana de 200 ônibus. Lula deve chegar a Curitiba de carro. No depoimento anterior, foi de avião à capital paranaense.

Assim como no primeiro depoimento, a audiência será registrada em duas câmeras, um focada em Lula, a outra posicionada na lateral da sala, que registrará o juiz e o ex-presidente em um mesmo quadro.

No depoimento, Lula deve ser questionado por Moro a respeito das acusações feitas por Palocci contra o ex-presidente. O ex-ministro, atualmente preso em Curitiba, afirmou na quarta-feira 6 que o terreno em São Bernardo seria parte de um suposto "pacote de propinas" da Odebrecht destinado ao ex-mandatário petista. Na ocasião, o ex-ministro afirmou que Lula fez um "pacto de sangue" com Emílio Odebrecht. Segundo a narrativa, o empreiteiro reservou 300 milhões de reais ao ex-presidente para "atividades políticas".

A Moro, Palocci narrou que, após a eleição de Dilma Rousseff, Emílio Odebrecht procurou Lula, pois o empresário dizia estar "em pânico" com a eleição da sucessora do ex-presidente. Ainda segundo o ex-ministro, a apreensão se devia a rusgas entre a empreiteira e a petista, quando esta era chefe da Casa Civil. Em episódio citado por Palocci, Dilma atuou para a Odebrecht não comandar o conjunto de obras das usinas de Santo Antonio e Jirau.

Palocci menciona duas supostas reuniões entre Lula e Emílio Odebrecht nas quais teria sido acertado o "pacote de propinas", mas afirma que não estava presente em ambas. Na primeira, Emílio teria oferecido o terreno para o instituto Lula, o sítio para uso da família do ex-presidente e uma reserva de 300 milhões para o petista. No segundo encontro, narra Palocci, Emílio encontrou-se com Lula e Dilma. O ex-presidente teria pedido a sua sucessora que "preservasse" a relação do governo com a Odebrecht.

Palocci alegou ainda ter aconselhado o ex-presidente a receber o terreno onde seria sediado o Instituto Lula como doação formal, ou ‘revestida de formalidade’.

A defesa de Lula afirmou que Palocci mudou sua versão "em busca da delação". "O depoimento de Palocci é contraditório com outros depoimentos de testemunhas, réus, delatores da Odebrecht e com as provas apresentadas. Preso e sob pressão, Palocci negocia com o MP acordo de delação que exige que se justifiquem acusações falsas e sem provas contra Lula", afirma Cristiano Zanin Martins, advogado do ex-presidente.

Em nota, o Instituto Lula comparou a postura de Palocci com a de Léo Pinheiro, que também mudou sua versão no caso tríplex ao incriminar o petista. Segundo o instituto, "não há nada no processo ou no depoimento de Palocci" a indicar que o terreno foi comprado com recursos desviados da Petrobras, motivo aludido para o caso estar sendo julgado por Moro.

Por problemas de saúde, Roberto Teixeira, advogado de Lula em processos da Lava Jato, terá seu depoimento colhido em 20 de setembro.

Será a primeira vez que Lula e Moro estarão frente a frente desde a condenação do petista por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, relativas ao caso do tríplex no Guarujá. Em julho, Lula foi condenado por supostamente se beneficiar de recursos desviados para a compra e a reforma do imóvel.

A pena imposta por Moro foi de seis anos de reclusão por corrupção passiva e três anos e meio por lavagem de dinheiro. O petista foi absolvido, porém, da acusação de ter se beneficiado irregularmente do transporte e armazenamento de seu acervo presidencial. Neste momento, Lula recorre da decisão no Tribunal Regional Federal da 4ª região.

Fonte: cartacapital.com.br

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