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Bancos ficaram sobre as pessoas, diz sobrevivente de tragédia com ônibus

16 de Fevereiro de 2017 17:55
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Bancos ficaram sobre as pessoas, diz sobrevivente de tragédia com ônibus

Colisão aconteceu nesta quinta-feira (16), em Mirante do Paranapanema.Passageiros relataram sobre gritaria, escuridão e desespero.

Desespero, gritos e escuridão. Foi desta forma que alguns dos passageiros do ônibus de sacoleiros que bateu em outro coletivo que transportava estudantes descreveram os momentos após a colisão. O acidente aconteceu na madrugada desta quinta-feira (16), em Mirante do Paranapanema, e os sobreviventes só conseguiram mensurar a gravidade da situação quando saíram do veículo. Oito pessoas morreram e 46 pessoas ficaram feridas, de acordo com a Polícia Civil.

O vendedor João Esteves relatou que só ouviu o motorista freando e, em seguida, a batida. “Só ouvi a pancada e o resto a gente não viu mais nada. Depois, a gente tentou só ajudar alguém, livrar as pessoas. Só isso. A gente não sabia o que tinha acontecido, ficou apavorado. Depois viu que tinha outro ônibus. Não tenho nem o que falar. A gente está triste. Agora é rezar e pedir a Deus”, lamentou.

Com ele estava o também vendedor Márcio Brito de Souza. Ele estava acordado no momento do acidente, por volta da 0h, e ouviu a freada e a batida. “Depois, apagou tudo e ouvi os gritos das pessoas. Não dava para ver nada. É muito rápido, não tem como. Muita gente gritou, os bancos estavam em cima das pessoas, gente que voou para o outro lado. Gente com dor, machucados, outros pedindo socorro, uns presos nas ferragens. É muito triste, um sentimento de impotência total”, afirmou.

O comerciante Sebastião Nunes Barbosa contou que estava dormindo e acordou com a pancada entre os veículos. Na sequência, ele também relatou sobre os gritos e que foi arremessado para a frente do coletivo. “Os bancos foram se juntando tudo. Eu estava mais ou menos no meio do ônibus e fui parar lá na frente com a pancada. Aí veio um cheiro forte dentro do ônibus e parecia que todo mundo estava se afogando nesse cheiro. Foi um desespero total”, descreveu.

Barbosa teve um corte na cabeça e disse que não se importou com a sua situação após ver as condições das demais vítimas. “Depois que eu vi, eu era o de menos. Tinham pessoas mais machucadas. Foi horrível. Só na hora em que quebraram os vidros que a gente saiu, que eu vi que a situação era feia. Quem morreu era tudo amigo nosso”, disse.

O comerciante falou que faz essa viagem ao Paraguai semanalmente e que nunca havia se envolvido em um acidente. “O sentimento é muito triste, perder os amigos, muita gente machucada. Não quero nunca mais passar por isso. Minha família ficou desesperada, ligando. Mas já tranquilizei a todos”, enfatizou Barbosa.

Ela também comentou que todos jantaram juntos e que este foi o último momento com os amigos. “É triste demais. É complicado, mas fazer o quê? É a vida. Deus dá força. Foi um milagre para a gente que estava no fundo porque quem estava na frente estão todos internados ou morreram”, lamentou a vendedora.

O paisagista Roney Faelis explicou que ajudou a remover os bancos que se desprenderam com o impacto para auxiliar os feridos. “O susto foi grande. Quando você vê o ferro todo retorcido, a primeira coisa que você pensa é na tua vida, na tua família e em ajudar a salvar as outras pessoas que estavam lá dentro, gritando de dor. É uma tragédia, uma coisa medonha”, afirmou.

Em luto, as universidades de Presidente Prudente (SP) onde os alunos estudavam decidiram suspender as aulas nesta quinta-feira (16).

Do ônibus que transportava os estudantes, morreram o motorista e três passageiros. Do ônibus que transportava os sacoleiros, também morreram o condutor e três passageiros, segundo a polícia.

O veículo dos universitários voltava de Presidente Prudente, cidade onde os alunos estudavam, para Teodoro Sampaio. As instituições de ensino superior da cidade realizam levantamento para saber o número de alunos envolvidos no acidente.

Já o ônibus dos sacoleiros retornava do Paraguai, com destino à cidade mineira. O veículo de turismo pertence a uma empresa de transporte de passageiros do município e fazia a linha Iturama-Foz do Iguaçu (PR), tendo como destino final o Paraguai. No ônibus, estavam passageiros e sacoleiros de Iturama e Frutal (MG) que viajavam com o objetivo de fazer comprar no país vizinho.

Os feridos foram levados para hospitais de Teodoro Sampaio, Mirante do Paranapanema e Presidente Prudente, no Oeste Paulista. De acordo com a Polícia Civil, 11 feridos foram socorridos em estado grave e 35 com lesões de natureza leve.

Os corpos dos mortos serão levados para as unidades do Instituto Médico Legal (IML) em Presidente Prudente e Presidente Venceslau (SP).

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Fonte: g1.globo.com

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