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Em boa convocação, Tite dá oportunidades merecidas e acerta no geral, mas volta a fazer algumas escolhas questionáveis

19 de Maio de 2017 17:39
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Em boa convocação, Tite dá oportunidades merecidas e acerta no geral, mas volta a fazer algumas escolhas questionáveis

Diego Alves, Alex Sandro e Jemerson. Taison, Rafinha e Rodriguinho. A convocação de Tite para os amistosos da Seleção Brasileira contra Argentina e Austrália, em 9 e 13 de junho, respectivamente, em Melbourne, realizada nesta sexta-feira (19), foi dividida entre ótimos nomes e também escolhas questionáveis.

Todos sabemos da qualidade e competência excepcionais do treinador, que transformou a Seleção. No entanto, apesar de viver uma fase espetacular dentro e fora de campo, fazer um trabalho magnífico e ser inquestionável, sempre vemos alguns nomes estranhos nas convocações de Tite, por mais que muitos deles joguem pouco e Paulinho, titular que foi cornetado quando chamado pela primeira vez, seja hoje titular absoluto e peça fundamental no escrete canarinho.

No gol, Tite não chamou o titular Alisson. Reserva na Roma, o goleiro é defendido por alguns, por não estar comprometendo na Seleção e ser bom jogador, mas criticado por outros, por não ser brilhante a ponto de ser o dono da posição no escrete canarinho mesmo atuando poucas vezes em seu clube. Na minha opinião, o ex-arqueiro do Internacional não deveria ser chamado. No entanto, acredito que o treinador tupiniquim não o tenha convocado apenas para testar outros atletas.

A novidade, por outro lado, é excelente. Diego Alves, que muitos, inclusive eu, pedem na Seleção já há algum tempo, finalmente está de volta. Em ótima fase e jogando demais no Valencia, sendo um dos melhores goleiros em atividade na Europa, brilhando com regularidade e parando alguns dos melhores jogadores do mundo, ele já fazia por merecer uma chance no escrete canarinho e sua convocação é totalmente merecida. O ex-atleticano seria meu goleiro titular no Brasil.

Completam a posição dois nomes que já vinham sendo chamados: Weverton, campeão olímpico e bom arqueiro do Atlético-PR, e Ederson, jovem talentoso, ótimo jogador e campeão português pelo Benfica. Tenho outras preferências, mas os dois são bons goleiros, já vinham sendo convocados e merecem continuar na Seleção.

Nas laterais, Tite se dividiu entre acertos e erros. Daniel Alves e Marcelo são titulares absolutos e dois dos melhores do mundo. Eles, que irão se enfrentar na final da Uefa Champions League, foram poupados por Tite. Seus reservas imediatos, por outro lado, foram convocados: Fagner e Filipe Luís. Além deles, foram chamados Rafinha, do Bayern de Munique, e Alex Sandro, da Juventus.

Não faz muito sentido convocar Rafinha. Nada contra o jogador, que tem qualidade e é experiente, mas ele não tem atuado muito no Bayern e é reserva de Philipp Lahm, que se aposenta do futebol no fim desta temporada. Existem opções melhores como Marcos Rocha, que além de superior aos dois convoados, vive melhor fase e está jogando um absurdo no Atlético-MG, e também Mariano, bom atleta do Sevilla. Chamaria os dois ao invés de Rafinha e Fagner. O corintiano, porém, já vinha sendo chamado por Tite, foi bem quando utilizado e goza da confiança do treinador. Sua permanência é óbvia e faz completo sentido.

Já do lado esquerdo, Filipe Luís é inquestionável e um dos melhores do mundo. Só não é titular porque existe Marcelo. O outro convocado, Alex Sandro, só não é chamado sempre porque existe, além de Marcelo, Filipe Luís. Ele merece (e muito) a chance na Seleção, está jogando um absurdo na Juventus já há algum tempo e é um dos melhores laterais-esquerdos do futebol europeu na atualidade.

Na zaga, Tite também protagonizou outros enormes acertos. Ele poupou os inquestionáveis titulares Miranda e Marquinhos, que estão jogando demais tanto em seus clubes quanto na Seleção, e chamou Jemerson e David Luiz, que merecem, e muito, a oportunidade no escrete canarinho.

O ex-Atlético-MG faz uma temporada fantástica no Monaco, que acabou com a hegemonia do PSG na França conquistando a Ligue 1 e chegou nas semifinais da Champions League. O jovem zagueiro jogou demais e mostrou sua habitual qualidade técnica, além de ótimo posicionamento, velocidade e facilidade para desarmar e antecipar os rivais. Dizem por aí que Cavani, Agüero e Aubameyang ainda estão em seu bolso.

David Luiz, por sua vez, foi um dos pilares do 3-4-3 de Antonio Conte no Chelsea campeão inglês com sobras. As investidas malucas ao ataque acabaram, e com bom posicionamento e atuando na sobra, ele jogou muita bola e foi um dos melhores zagueiros da temporada europeia, superando as críticas. É claro que ele atuou em um esquema tático diferente da Seleção, mas pelo desempenho, pela qualidade e pela evolução, merece a chance que está recebendo.

Entre os outros convocados, as permanências de Thiago Silva e Rodrigo Caio são justas e já esperadas, mas continuo criticando a insistência em Gil. Ele é bom zagueiro, tem a confiança de Tite e está no grupo desde o início, mas Geromel é melhor em todos os sentidos e está atuando e enfrentando adversários de nível técnico e tático superiores.

Já no meio-campo, Tite poupou Casemiro, titular absoluto que está voando no Real Madrid e na Seleção, fazendo muita diferença, mas manteve Fernandinho (ótimo reserva imediato do Kaiser, que segue jogando muito), Philippe Coutinho (titular absoluto que está brilhando no Liverpool e na Seleção, jogando demais), a dupla da China, Renato Augusto e Paulinho (que calaram os críticos, estão voando e são fundamentais no escrete canarinho, sendo titulares inquestionáveis) e Willian (excelente reserva, que deve ser titular nos amistosos). Todos seguem no grupo de forma absolutamente merecida.

Os outros nomes no setor são Lucas Lima e Giuliano, já conhecidos, e a novidade Rodriguinho. O jogador do Zenit foi muito bem quando acionado na Seleção e fez excelente temporada na Europa, merecendo um lugar na equipe de Tite. O santista, por sua vez, atravessa momento irregular, enquanto o corintiano, apesar de destaque em seu clube, nunca apresentou um nível alto o suficiente para justificar uma convocação.

A lesão do flamenguista Diego pesou para a escolha de Tite, mas ele poderia, por exemplo, ter chamado Elias, que está voando no Atlético-MG, jogando demais seja como um meia que se infiltra muito no 4-1-4-1, como o treinador fez com ele no Corinthians, seja como um meia aberto pela direita no 4-4-2 e seja como um segundo volante no 4-2-3-1, isso sendo que o meio-campista tem variado muito de posição durante as partidas do Galo. Ele está jogando demais, já é fundamental no Alvinegro e marcou golaços importantes nos últimos quatro jogos. É jogador de nível de Seleção e merece uma oportunidade.

Já no ataque, nenhuma novidade, mas escolhas questionáveis. Gabriel Jesus, recuperado de lesão, volta ao time e dispensa comentários. Douglas Costa é outro que se encaixa no perfil. No entanto, Tite também voltou a chamar Diego Souza e Taison. O jogador do Sport tem qualidade comprovada, mas não atravessa seu melhor momento, assim como sua própria equipe, enquanto o atleta do Shakhtar Donetsk, apesar de ter a confiança do treinador, não tem jogado o suficiente para justificar uma convocação.

Existem várias opções melhores, entre elas Lucas, do PSG, que vive sua temporada mais goleadora na Europa e tem jogado muito, além de ter mais talento; Dudu, do Palmeiras, que já há algum tempo tem rendido mais que os dois convocados; e Roberto Firmino, que recuperado de contusão, dispensa apresentações e merece voltar à Seleção.

Fonte: goal.com

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