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Capez diz que seu nome foi usado para tirar dinheiro de cooperativa

14 de Setembro de 2016 20:39
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Capez diz que seu nome foi usado para tirar dinheiro de cooperativa

CPI teve tumulto e uso de spray de pimenta por policiais militares.Deputado negou envolvimento com o esquema de fraude na merenda.

Em depoimento à CPI da Merenda nesta quarta-feira (14), o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Fernando Capez (PSDB), disse que seu nome foi usado "para tirar dinheiro da cooperativa [Orgânica Agrícola Familiar, a Coaf]”. O tucano foi citado por pessoas investigadas como beneficiário do esquema de fraudes nos contratos de merenda entre prefeituras e o estado.

A maior parte do depoimento foi usado por deputados presentes, que fizeram explanações. "Nem nos meus piores pesadelos, nem com bola de cristal, conseguiria imaginar essa situação", disse Capez.

Ele foi questionado sobre a relação com Jeter Rodrigues, que assinou um contrato de R$ 200 mil de consultoria com a Coaf e que foi citado em outros depoimentos como a pessoa que ameaçava cancelar os contratos com o governo se não recebesse propina. "Não tinha nenhum contato com ele. Era eventualmente bom dia e até logo." Jeter era funcionário da Alesp e foi aposentado após a descoberta do escândalo.

Sobre sua relação com José Merivaldo dos Santos, ex-assessor de Capez e que também foi citado em outros depoimentos como alguém que fazia ameaças à cooperativa, disse que "foi uma surpresa muito grande". Merivaldo também estava previsto para depor hoje, mas alegou licença médica por tratamento de quimioterapia. Durante a sessão, deputados da oposição mostraram uma foto de Merivaldo tomando whisky que supostamente seria da última quinta-feira.

Sobre o também assessor de Capez Luiz Gutierrez, o Licá, o deputado afirmou que ele "até esse momento continua contando com a minha confiança". Licá também prestou depoimento nesta quarta. Durou 20 minutos, ele negou todas as acusações.

Questionado sobre a punição desses funcionários da Alesp, Capez disse que foi aberta uma sindicância. "Eu aguardo o relatório. Eu tenho uma condição, por formação jurídica, não vou antecipar a uma matéria que não entrar na minha esfera de competência. Acho que quem errou tem que ser apurado o erro, aplicado no estatuto do funcionário público ou no código penal se for o caso e tomadas todas as providências, doa a quem doer."

Em seu depoimento, Capez negou mais de uma vez que tenha envolvimento com o esquema de fraude na merenda. "Eu não recebi um centavo desta cooperativa. Não recebi um centavo de nenhuma cooperativa, nem diretamente, nem por interposta pessoa. Isto é uma infâmia."

Um estudante passou mal com spray e foi atendido por um brigadista do Corpo de Bombeiros. Às 9h40, estudantes bloquearam as entradas do plenário e cantaram a música: "se eu não entro, ninguém entra".

Segundo a assessoria da PM, dois policiais militares, um deles mulher, foram feridos por manifestantes. Um dos supostos agressores foi levado à delegacia (veja nota abaixo)

A polícia disse que jogou o spray após a agressão, mas o Manual de Controle de Distúrbios Civis e o Manual Básico de Policiamento Ostensivo, ambos da Polícia de Militar de São Paulo, dizem que o uso de spray de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e outros “agentes químicos” não podem ser usados em “altas concentrações” e em ambientes sem rota de fuga porque contribuem para situações de pânico.

“Altas concentrações de [agentes químicos] causam temporariamente cegueira e outros transtornos, como pânico, deixando indefesos os membros da multidão”, diz o manual.

O presidente do DCE da Fatec, Henrique Domingues, contou ao G1 que cerca de 25 estudantes acamparam em frente à Alesp na noite desta terça para serem os primeiros a entrar. Quando abriu a porta e eles entraram, por volta de 8h20, já havia sete pessoas na fila para entrar na parte de baixo (o número de cadeiras disponíveis ) e 15 em cima, no mezanino (o número das cadeiras disponíveis também). Por isso os estudantes se revoltaram, porque não queriam ficar sem entrar.

"Utilizaram da velha estratégia de trazer pessoas antes pra ocupar os lugares do plenário e não deixar os estudantes entrarem. Só que hoje foi muito pior porque acampamos aqui na porta da Alesp e em tese fomos os primeiros a chegar", disse.

Depois do início da sessão, quando Luiz Carlos Gutierrez, ex-assessor do presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Capez (PSDB), suspeito de integrar a máfia da merenda, começava a falar, um novo tumulto começou.

O deputado Zico Prado (PT) tentava entrar na sessão e o presidente da CPI, Marcos Zerbini (PSDB), foi liberar a entrada do parlamentar. Neste momento, os estudantes impedidos de presenciar a sessão, tentaram entrar na sala. A PM fez um cordão para tirar os estudantes do corredor e houve tumulto. Uma estudante relatou que foi agredida por um cassetete.

O cinegrafista da GloboNews Amós Alexandre levou um empurrão de um policial militar. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) repudiou as agressões sofridas pelo cinegrafista. "É inconcebível que, mais uma vez, um profissional de comunicação sofra agressões por parte de integrantes da Polícia Militar, instituição que deveria zelar pela segurança da sociedade. A Abert pede às autoridades responsáveis a adoção de medidas que impeçam a repetição de violência contra jornalistas no exercício da profissão, além da apuração rigorosa e punição do agressor", diz nota assinada por Paulo Tonet Camargo, presidente da Abert.

A PM informou que vai rever as imagens para analisar o que houve para se posicionar, e que também vai instaurar um procedimento para analisar a ação como um todo.

"A Polícia Militar informa que, na manhã desta quarta-feira (14), após o plenário Dom Pedro da ALESP estar com sua capacidade máxima preenchida, de 24 cadeiras, pessoas que ficaram para fora e que desejavam acompanhar os trabalhos da CPI da Merenda forçaram a entrada, obrigando a polícia a impedi-los. Os manifestantes geraram forte tumulto, dois PMs ficaram feridos e foi preciso usar gás de pimenta para dispersar quem tentava invadir a todo custo o recinto. Um rapaz agrediu um PM, foi detido e encaminhado ao 36º DP", diz a nota.

Fonte: g1.globo.com

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Comentários - 1
jotamoreira

29 de Setembro de 2016 15:55

Pelo que eu vi ontem, o Ederson vai compor a lista dos sem sangues que ficam no banco.