Receba atualizações de notícias ao minuto sobre os temas mais quentes com a NewsHub. Instale já.

Decisão na infraestrutura é uma coisa técnica e sem paixões, diz general

14 de Outubro de 2018 20:57
74 0

Cotado a ministro em um governo Bolsonaro, militar apoia concessão e tem cautela com privatização

O general da reserva Oswaldo Ferreira, 64, se define como um guerreiro de selva.

No entanto, rechaça qualquer autoritarismo do candidato. “Se ele for eleito, será um governo estritamente legal.”

O general, que chegou ao posto máximo da carreira como chefe do Departamento de Engenharia e Construção, é cotado para ser ministro da área de infraestrutura.

Uma das metas, segundo ele, será a retomada de obras paradas, principalmente a BR 163, que ele construiu os primeiros 13 quilômetros há 37 anos.

O plano de concessões deve prosseguir porque, segundo ele, “com R$ 30 bilhões [de Orçamento para investimentos] por ano não vai dar”.

Apaixonado pela Amazônia, Ferreira quer rapidez no licenciamento ambiental, mas defende a floresta e o ambiente. “Há outras áreas do Brasil que podem nos proporcionar o crescimento.”

Uma coisa que eu posso deixar claro é que nós [militares] somos democratas. E disso não abro mão.

O Exército é uma instituição democrática. A nós é dada a faculdade de, pelo mérito, atingir o mais alto posto da carreira.

Agora, temos regras marcantes: além da disciplina, uma coisa boa para a democracia, existe a hierarquia, que também faz muito bem. A tropa é uma representação da sociedade.

Bolsonaro é um capitão, e o bom chefe, o bom líder é o que dá o exemplo, e ele é justo. É assim que funcionamos.

Não quero um chefe bonzinho, quero um chefe justo. Veja que já é assim nas empresas. Aquelas que perduram mantêm a disciplina e a hierarquia.

Bonzinho a gente sabe que Bolsonaro não é. Ele será justo? Fará algo que não seja democrático?

Se existe essa dúvida, não deveria. Não existe a hipótese de [Bolsonaro] querer coisas que não estejam previstas na Constituição.

A democracia pressupõe que as pessoas tenham suas convicções e que aceitem as regras do jogo no ato da eleição.

O Rio Grande do Sul já foi governado pela esquerda e pela direita. Nem por isso o estado entrou em convulsão.

Bolsonaro, vou falar palavras dele, disse que quer ser o presidente de todos os brasileiros. Então, que reine a paz para que todos nós possamos remar o mesmo barco para frente.

Do ponto de vista da transição, sim. Teríamos mais tempo. Mas não foi possível e temos de trabalhar para poder cumprir a tarefa de conquistar mais votos.

Se ele for eleito, garanto que vai ter muita gente sem Natal e Ano-Novo [risos].

Bolsonaro propõe governar com 15 ministérios, juntar Agricultura e Meio Ambiente, e criar uma pasta de infraestrutura. Não é muito conflito de interesse para administrar?

A questão de ter rapidez no licenciamento ambiental perpassa também os Transportes, Minas e Energia, outros ramos que influenciam na infraestrutura.

Eu tenho pena do ministro [risos]. Acho que tudo isso será revisto durante a transição.

O conflito entre desenvolvimento e ambiente é histórico. Marina Silva já deixou o governo Lula por embates nessa área. Qual o plano, afinal?

No Exército, não fazemos nada sem estudos de viabilidade técnica, econômica, ambiental e social. Nenhum tijolo pode ser colocado sem estudo. Não posso construir nada sem uma licença ambiental.

Qualquer contorno para não passar pela reserva [indígena] é enorme. Será viável? O que aconteceria se passássemos [o linhão] por cima da BR 174? Não estudei ainda.

O que posso dizer é que, há bem pouco tempo, eu era comandante militar do Norte e, em 2015, os índios krikati, no Maranhão, derrubaram cinco torres de transmissão de energia. Dialogamos e entramos em um acordo para reconstruir.

A transposição do rio São Francisco, porque o Nordeste precisa de água. E minha obra predileta, a BR 163. Eu fiz os primeiros 13 km de asfalto, em 1980.

Em 2017, tive o prazer de acompanhar o ministro dos Transportes para fechar a cooperação para construir os últimos 65 km. É uma obra que, como outras, quero ver pronta porque interfere no custo Brasil.

A mobilidade urbana também é importante. Cuiabá tem uma questão que veio da Copa [obras paradas por irregularidades]. Em Fortaleza, tem o metrô. São mais de 2.000 obras paradas. Temos de acabar o que começamos.

Teve muita gente com iniciativa [de começar obra] e nem tanta com acabativa [sic].

De maneira geral, a prioridade será tudo o que afeta a população. Mas temos de olhar o tabuleiro sem paixões, sem partidos, é uma coisa técnica.

Não há dinheiro para tudo. O sr. sugere manter o plano de concessões de Michel Temer?

Não tem outra solução para o que não for estratégico. Isso é uma posição do Bolsonaro e do Paulo Guedes [principal assessor econômico do candidato]. Precisamos de solução já para a infraestrutura e com R$ 30 bilhões de Orçamento por ano não vai dar.

Em 2001, viajei de carro de Brasília para Belo Horizonte. Era um jogo de videogame, desviando de buraco. Hoje, tem zero buraco. A rodovia foi concedida à iniciativa privada. E tem pedágio. Mas uma roda quebrada paga várias viagens.

Em Mato Grosso, por exemplo, é preciso uma solução de rodovia para o escoamento da safra. E, como ela vai dobrar, será preciso ferrovia, outros modos de transporte.

Há vários projetos, a Ferrogrão, a Fico, a Fiol, a Ferrovia Norte-Sul. O projeto da Ferrogrão, por exemplo, cruza a floresta amazônica. Eu defendo o aumento da produtividade [agrícola], mas sem precisar tocar na selva.

Precisamos estudar. No momento, precisa de solução para a BR 163. Depois, ferrovia.

Existem obras paralisadas em decorrência da Lava Jato. O que fazer com Angra 3 e o Comperj, por exemplo?

O que posso dizer é que, se for para encerrar Angra 3, teremos de pagar R$ 12 bilhões em rescisões contratuais. Para concluir, serão R$ 17 bilhões.

No Comperj, já foram investidos R$ 12,5 bilhões. Faltam R$ 8 bilhões. Essa é a matemática que precisa ser colocada.

Considero que o refino e a distribuição de petróleo possam ficar com a iniciativa privada. O caso da Eletrobras precisa ser conversado.

Fonte: 1.folha.uol.com.br

Partilhe nas redes sociais:

Comentários - 0