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Dono da JBS diz ter transferido US$ 150 milhões no exterior para campanhas de Lula e Dilma

19 de Maio de 2017 18:53
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O dono da JBS, Joesley Batista, disse que transferiu para contas no exterior US$ 70 milhões destinados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mais US$ 80 milhões em conta, também no exterior, em benefício da ex-presidente Dilma Rousseff (veja a partir de 29 minutos e 30 segundos do vídeo acima).

Os montantes, afirmou, foram enviados por meio do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e gastos "tudo em campanha" (veja a partir de 30 minutos segundos e 30 segundos no vídeo acima). Joesley falou que tanto Lula quanto Dilma tinham conhecimento dos repasses.

A defesa do ex-presidente Lula afirma "que as afirmações de Joesley Batista em relação a Lula não decorrem de qualquer contato com o ex-presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros, que sequer foram comprovados". Lula é inocente, ainda segundo nota assinada pelos advogados Cristianio Zanin Martins e Roberto Teixeira. A assessoria da ex-presidente Dilma negou irregularidades, e disse que "são improcedentes e inverídicas as afirmações do empresário" (veja nota no final do texto).

A declaração foi dada por Joesley em 3 de maio de 2017 na sede da Procuradoria Geral da República, em Brasília. "Teve duas fases, a do presidente Lula e teve a fase da presidente Dilma", disse. "Na fase do presidente Lula chegou a US$ 80 milhões de dólares, na fase da presidente Dilma chegou a uns US$ 70 [milhões]. Ou ao contrário: US$ 70 [milhões] na do Lula e US$ 80 [milhões] na da Dilma."

Joesley disse que inicialmente não tinha se dado conta de que os valores eram destinados às campanhas eleitorais de Lula e Dilma. Ele afirma ter percebido quando, ainda segundo ele, Guido pediu a abertura de uma segunda conta, em nome do próprio empresário. "Foi aí a primeira vez que eu desconfiei que o dinheiro não era dele [Guido]" (veja a partir de 32 minutos e 15 segundos no vídeo acima).

Leia também: Insucesso na busca de provas contra Lula leva Moro ao descontrole, diz Janio

"Quando terminou o governo Lula, ele falou: agora tem que abrir outra conta. Essa conta é da conta do Lula. Essa aqui.. tem que abrir uma para Dilma", disse. Fiz uma pergunta pra eles sabem disso? Lula sabe disso, Dilma sabe ? Não, sabe sim, eu falo tudo pra eles" (veja a partir de 33 minutos e 7 segundos). Ele disse levar frequentemente o extrato das contas para o então ministro.

Em 2014, Joesley disse ter sido chamado por Guido e orientado a doar, a partir das mesmas contas, dinheiro para candidatos do PT e de outros partidos --citou PMDB e PC do B. "Quando eu percebi que as doações estavam indo para valores estratosféricos, eu fui lá no ministro e disse, por mais que a maior parte tenham sido oficiais, o número vai ficar muito discrepante em relação ao segundo [maior doador]". O ministro então lhe disse, ainda segundo Joesley: "Tem que fazer".

O empresário afirma ainda ter falado com Lula a respeito (veja a partir de 46 minutos e 10 segundos). "Eu conheci o presidente Lula em 2013. Preisdente Lula, não sei se o senhor tem a ver com isso ou não tem. Nós estamos fazendo doação, nós somos o maior doador, e as doações já passaram de R$ 300 milhões, hein? O senhor está entendendo a exposição que vai virar isso?" Lula, segundo Joesley, nada falou. "O presidente ficou olhando pra mim, não falou nem sim nem não... e ficou um silêncio na sala." O encontro ocorreu em 2014.

Ele também afirma ter encontrado a então presidente Dilma (veja a partir de 48 minutos e 40 segundos). "Com a Dilma eu fui bem mais explícito com ela: contei meio que tudo. Senhora presidenta, tem duas contas, tem uma que o Guido falou que era sua e outra que era do Lula. Já acabou seu dinheiro e o do Lula." E procurador do Ministério Público Federal então pergunta se sabia que o dinheiro tinha relação com o BNDES, ao que Joesley responde: "Sabia perfeitamente" (veja a partir de 50 minutos e 48 segundos).

"Não, é importante fazer, tem que fazer", disse Dilma, de acordo com o relato do empresário. "Daí eu saí com a certeza de que ela sabia de tudo [dos repasses às campanhas] (veja a partir de 51 minutos e 20 segundos).

A JBS e os irmãos Joesley e Wesley Batista fecharam delação premiada, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Veja aqui os principais pontos.

Verifica-se nos próprios trechos vazados à imprensa que as afirmações de Joesley Batista em relação a Lula não decorrem de qualquer contato com o ex-Presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros, que sequer foram comprovados.

A verdade é que a vida de Lula e de seus familiares foi - ilegalmente - devassada pela Operação Lava Jato. Todos os sigilos - bancário, fiscal e contábil - foram levantados e nenhum valor ilícito foi encontrado, evidenciando que Lula é inocente. Sua inocência também foi confirmada pelo depoimento de mais de uma centena de testemunhas já ouvidas - com o compromisso de dizer a verdade - que jamais confirmaram qualquer acusação contra o ex-Presidente.

A referência ao nome de Lula nesse cenário confirma denúncia já feita pela imprensa de que delações premiadas somente são aceitas pelo Ministério Público se fizerem referência - ainda que frivolamente - ao nome do ex-Presidente.

1. Dilma Rousseff jamais tratou ou solicitou de qualquer empresário ou de terceiros doações, pagamentos e ou financiamentos ilegais para as campanhas eleitorais, tanto em 2010 quanto em 2014, fosse para si ou quaisquer outros candidatos.

2. Dilma Rousseff jamais teve contas no exterior. Nunca autorizou, em seu nome ou de terceiros, a abertura de empresas em paraísos fiscais. Reitera que jamais autorizou quaisquer outras pessoas a fazê-lo.

3. Mais uma vez, Dilma Rousseff rejeita delações sem provas ou indícios. A verdade vira à tona.

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Fonte: g1.globo.com

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