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Drama de uma Ponte sem time, sem treinador e sem capitão

17 de Julho de 2017 01:53
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Drama de uma Ponte sem time, sem treinador e sem capitão

Bastou apenas um tempo de jogo sério para o Grêmio, um dos melhores times do campeonato, marcar três fáceis gols, virar a partida, despachar a Ponte Preta e decretar sua merecida vitória. Bem postada na primeira etapa, Macaca esteve firme na marcação e aproveitou um gol contra para abrir o placar. O problema é que, com time sem qualidade, treinador inseguro e capitão displicente, não se vence grandes jogos no Campeonato Brasileiro.

O fundo do poço alvinegro parece não ter chegado ainda. São quatro derrotas e um empate nos últimos 5 jogos, queda livre na tabela e o perigo da zona de rebaixamento cada vez mais real. Dessa maneira, fica muito difícil acreditar que, se entrar no Z-4, esse grupo terá força e capacidade de se superar e voltar a ter segurança no Brasileirão 2017. Vem mais drama por aí. Provavelmente até dezembro.

Mesmo sendo apenas uma atitude que gere resultado a curto prazo, a demissão de Gilson Kleina é possível e iminente. Porém, é de acordo da maioria dos pontepretanos que o Departamento de Futebol, sob gestão dos cabeças Helio Kazuo e Gustavo Bueno, é o grande responsável pelo fiasco da equipe até aqui. Estes dirigentes foram incapazes de montar e qualificar um elenco sem nenhum nível de Série A, ainda que sabedores de suas deficiências e necessidades e com dinheiro no bolso - oriundo de negociações de atletas de destaque desde o início do ano. Essas quedas são ainda mais urgentes.

Após a terceira derrota seguida, mostraram outra vez como estão perdidos ao confirmar outras duas contratações. O lateral/meia-direito Maranhão, ex-Flu, pode e deve ser utilizado, mas a volta de Zé Roberto também foi concretizada. Curiosamente falamos dele no post passado, depois do vexame contra o Bahia, me sinto até meio culpado por relembrá-los. O atacante veio num dos piores negócios que já vi a Ponte fazer, trocado por Renê Junior. Não marcou nenhum gol pela Ponte em 2016 e foi liberado para disputar o Paulistão pelo poderoso Mirassol. Nem costumava ser titular no Criciúma, na Série B, onde marcou apenas uma vez, e agora volta ao elenco pontepretano. Precisa dizer mais alguma coisa?

Desse jeito, aumenta-se a velocidade da Ponte queda abaixo, no toboágua rumo à segunda divisão. Terá freio?

Opção de Gilson Kleina, Jeferson, menino da base, lateral direito, começou a partida improvisado com a 6, na fogueira da Arena do Grêmio. Na prática, quando tinha a bola, o lateral esquerdo da Ponte era o camisa 8 Naldo, enquanto Jé subia para a segunda linha. No momento defensivo, o volante quebrava para o meio, deixando a lateral e marcação de Edilson com Jeferson.

Deu certo no primeiro tempo sobretudo pela falta de ímpeto e criatividade do Tricolor Gaúcho, que levou muito pouco perigo à encaixada marcação campineira. Aproveitando a tranquilidade defensiva, a Macaca ficou um pouco mais à vontade. Com Sheik mal no jogo e outra péssima atuação de Cajá, inclusive nas bolas paradas, Lucca era mais uma vez a salvação do pobre ataque alvinegro.

Ao receber uma belíssima enfiada de Nino Paraíba, o artilheiro da Ponte ganhou de Geromel na velocidade e cruzou. Jeferson chegava para finalizar e sofreu pênalti, mas Rafael Thyere completou para a própria meta. Gol-contra e Macaca na frente na Arena do Grêmio, voltando a marcar depois de mais de 350 minutos no Brasileirão. Estava tão desacostumado, que quase perdi a voz.

Mas era óbvio que a cara da segunda etapa iria mudar, principalmente pela mudança de atitude e postura dos gaúchos. O que preocupava muito, sabendo da deficiência técnica e física dos atletas da Ponte. Não deu outra.

Em compensação ao enorme esforço que a Macaca precisa fazer para anotar um gol, é impressionante a facilidade que tem para ser vazada. Bastou o primeiro abafa do Grêmio e falha da zaga alvinegra no segundo tempo que Barrios, contando com desvio para matar Aranha, empatou a partida.

Dali em diante, com a torcida fervendo na Arena, a bola passou a queimar nos pés dos jogadores da Nega Veia. Sem a posse, foi questão de tempo para mais um abafa e a virada se concretizar.

Um dos 'ídolos' da história recente da Ponte Preta, Fernando Bob está colocando tudo em cheque com suas últimas atuações. Foi importante na campanha da Copa Sul-americana de 2013, fez Campeonato Brasileiro impecável em 2015, demonstrou o valor que tinha e foi reconhecido por isso até deixar o clube pela porta da frente e seguir carreira no Internacional.

Não vingou em Porto Alegre e voltou em baixa à Ponte para recuperar seu futebol. Embora muito mais violento, ainda destoa em qualidade dos outros volantes da Macaca. O que, hoje, não é nenhum mérito.

Depois de conseguir a proeza de falhar em praticamente todos os quatro gols do Corinthians nas finais do Paulistão, abusando do seu já característico excesso de confiança e com pitadas de displicência, o capitão já estava em decadência quando recebeu proposta para se transferir ao São Paulo.

Apesar do que a imprensa chamou de "grande vontade" do jogador em integrar o submarino tricolor, o negócio acabou não dando certo. E a partir dali, depois de um leve chá de banco que levou antes de voltar à titularidade e faixa de capitão, a displicência de Bob tomou rumos nunca antes vistos. Entregou gol contra o Palmeiras, entregou gol contra o Bahia e a especialidade do volante se tornou dar gols aos adversários.

Na Arena do Grêmio, já havia deixado a defesa da Ponte em apuros quando perdeu a bola no meio de campo e fingiu lesão para não retornar e marcar. Sorte que o Tricolor esteve muito mal no primeiro tempo.

Na segunda etapa, nitidamente abaixo do que pode render e errando muitos passes, cometeu pênalti ridiculamente infantil em Fernandinho. É bem verdade que se fosse do outro lado eu aposto que o juizão não marcaria. Mas Bob estava atrasado na marcação e colocou a mão no pescoço de Fernandinho. Na cal, Barrios anotou seu segundo e virou a partida.

Para finalizar mais um típico jogo fora de casa da Ponte Preta de Gilson Kleina, em mais um capítulo da série "Como é fácil fazer gol na Ponte", Luan levantou para a área e, com tudo pelo alto, Ramiro serviu Everton para definir o placar e outra derrota na conta da Macaca. Que segue sua sina, aparentemente interminável, de não vencer fora de Campinas.

Agora, confronto em casa, contra o Coritiba, toma novamente tons de obrigatoriedade. O que só pode prejudicar o clima entre time e torcida. Da última ocasião, contra o Bahia, essa combinação deu muito errado.

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Fonte: espnfc.espn.uol.com.br

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