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Iceberg maior que o Distrito Federal se descola da Antártida

12 de Julho de 2017 15:30
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No último fim de semana, uma designer paulista viu seu Facebook ser inundado de comentários e mensagens, após ter publicado um anúncio de "moradia compartilhada", pedindo, em troca, que a pessoa cuidasse de seu filho.

O anúncio começa com a frase "quer morar num apartamento descolado sem pagar nada?", e o texto continua dizendo que é uma "ótima oportunidade para estudante ou para quem busca uma nova oportunidade de viver em São Paulo". Em troca, a designer pede que a interessada cuide de seu filho, de sete anos, no período da manhã.

"Gostar de criança, saber cozinhar e manter a casa organizada. Você terá que dar almoço e colocá-lo no transporte escolar. Troca feita", finaliza o anúncio. Em poucas horas, a publicação foi compartilhada em diversas páginas feministas e foi inundada de críticas. Nos comentários, centenas de pessoas acusam a mulher de oferecer trabalho análogo à escravidão.

Após denúncias de usuários, o Facebook excluiu o perfil da requerente. Em entrevista ao E+, a designer, que é mãe solteira, se defendeu: "A única escrava aqui sou eu. Para mim, tudo isso é feito por pessoas desocupadas, que não pensam que existe uma pessoa do outro lado, no caso, uma mãe precisando de ajuda. Eu não tenho condições financeiras de contratar uma babá [em contrato] CLT, com férias, 13º, meu orçamento não comporta isso. Eu preciso de ajuda, então foi uma alternativa que encontrei", explicou.

A designer disse que teve ideia de receber ajuda e, ao mesmo tempo, ajudar outras mães. "Eu pensei: por que não encontrar uma mãe que também tenha dificuldades em pagar aluguel, para dividir um apartamento? A pessoa não vai fazer faxina, não vai lavar banheiro da minha casa. Ninguém questiona a história do meu filho, uma criança que vai ficar sozinha dentro de casa, e aí eu vou ser denunciada no Conselho Tutelar. Ninguém está preocupado com isso, fica todo mundo polemizando, e tem uma mãe que precisa trabalhar e precisa de ajuda. Teve gente que me denunciou no Ministério Publico por escravidão, o MP tem tanta coisa mais importante para fazer. Eu sou só uma mãe solteira pedindo ajuda para cuidar do meu pequeno", completou a designer.

De acordo com a advogada trabalhista Maria Lucia Benhame, o anúncio não condiz com a Lei Trabalhista que regulamenta funcionários domésticos: "O erro mais grave: não é uma troca, ela está contratando um serviço, e esse serviço deve ser pago. A lei não permite o pagamento total em utilidades, parte do valor deve ser em dinheiro sempre. E mais: o empregado deve ser registrado e o valor do salário utilidade, no caso moradia e alimentação, devem ser computados para encargos de INSS e FGTS, bem como reflexo em 13º e férias".

A especialista explica que funcionários domésticos devem receber pelo menos um salário mínimo, e que o anúncio "caracteriza situação análoga à escravidão, pois faz troca de moradia e alimentação por trabalho".

Fonte: pr.ricmais.com.br

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