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João de Deus: vítimas tinham de 9 a 67 anos; 44% dos casos prescreveu

21 de Dezembro de 2018 23:14
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João de Deus: vítimas tinham de 9 a 67 anos; 44% dos casos prescreveu

Promotores do MP-GO (Ministério Público de Goiás) afirmaram nesta sexta-feira (21) que, apesar de terem recebido 596 relatos pelo e-mail criado para receber denúncias de possíveis vítimas do médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, quase metade (255) foram considerados como possíveis casos a serem apurados. Desse número, 44% já teria prescrito.

O MP-GO informou ainda, em entrevista à imprensa, que os 255 casos dizem respeito a crianças, adolescentes e mulheres com idades de 9 a 67 anos.

"Ter mais de 590 mensagens não quer que haja 590 vítimas. Nós apuramos o conteúdo dessas mensagens e hoje o patamar de supostas vítimas, de potenciais vítimas é de 255. O MP-GO trabalha com o número de 255 vítimas em potencial', afirmou o promotor Luciano Meireles.

Das 255, 75 mulheres já tiverem seus depoimentos colhidos oficialmente em diferentes estados brasileiros. As oitivas continuam apesar do recesso do Ministério Público. O próprio João de Deus deve ser ouvido pelos procuradores na semana que vem.

Segundo Meireles, do total de casos que estão sendo considerados pelo MP, 112 já teriam prescrito --isto é, não poderiam motivar ação contra o médium. "Pelo fato de o acusado contar hoje com mais de 70 anos de idade, o prazo prescricional corre pela metade", explicou. Segundo o MP, por causa da idade do acusado o prazo para que os crimes possam gerar processos é de 10 anos.

Ele disse ainda que as vítimas, mesmo aquelas cujo fato aconteceu muitos anos atrás, devem continuar mandando relatos pois eles são de extrema importância para os processos que ainda não prescreveram. "É imprescindível que essas vítimas, mesmo dos relatos prescritos, sejam ouvidas, pois esses relatos servirão como prova naqueles crimes que não estão prescritos", explica.

O e-mail criado para que relatos sejam enviados ao Ministério Público é o denuncias@mpgo.mp.br.

Entre as vítimas identificadas, cujas mensagens foram encaminhadas exclusivamente para o canal de comunicação do MP goiano, estão as originadas de Brasília (39), Goiás (21), Rio Grande do Sul (20), Espírito Santos (11), Minas Gerais (15), Rio de Janeiro (7), Paraná (6), Santa Catarina (4), Mato Grosso (3), Mato Grosso do Sul (1), Maranhão (1), Pernambuco (1), Piauí (1) e Tocantins (1). As mensagens encaminhadas ao MP também vieram do exterior, sendo elas dos Estados Unidos (4), Austrália (3), Alemanha (1), Bélgica (1), Bolívia (1) e Itália (1).

Se as denúncias se confirmarem, João de Deus poderá responder por três crimes: estupro, estupro de vulnerável (considerado crime hediondo) e violação sexual mediante fraude.

Luciano Meireles disse ainda que o MP-GO recebeu hoje o inquérito concluído pela Polícia Civil de Goiás, que indiciou João de Deus por violação sexual mediante fraude. Os promotores vão juntar a ele outros três casos cujas investigações já estão avançadas no Ministério Público. Eles irão formar uma única denúncia criminal contra João de Deus ante a Justiça. Ela deverá ser enviada ao poder Judiciário na semana que vem.

"Nós estabelecemos em um primeiro momento aqueles casos que estão prontos para serem denunciados. Além do que foi relatado pela Polícia Civil, o MP pretende agregar outros três fatos: dois crimes de violação sexual mediante fraude e um crime de estupro de vulnerável", explicou. Ele disse ainda que o MP aguarda o inquérito policial desses três casos para que as informações sejam somadas e formem a denúncia.

Segundo o procurador-geral de Justiça, Benedito Torre, essa será apenas a primeira denúncia de várias que devem vir. "Em breve serão apresentadas denúncias de cada investigação. Estão sendo investigados crime por crime, vítima por vítima", afirmou.

Dois dias depois de apreender R$ 400 e armas de fogo em endereço ligado a João de Deus, agentes da Polícia Civil de Goiás e do MP-GO encontraram nesta sexta mais valores em uma das casas do médium em Abadiânia (GO). Nas buscas divulgadas hoje, foram localizadas uma mala cheia de dinheiro (ainda não se sabe o valor), além de outros itens. A operação envolveu três endereços na cidade e em adjacências.

Além da mala, agentes encontraram pedras preciosas e um fundo falso dentro de um guarda-roupa, com um cofre, que estava vazio. Agentes ouviram hoje dois funcionários da Casa Dom Inácio de Loyola --espécie de hospital de cirurgias espirituais que João de Deus fundou no município. A Vigilância Sanitária acompanhou a Polícia Civil e Ministério Público e interditou parcialmente as atividades da farmácia que funciona no local.

Fonte: noticias.uol.com.br

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