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Khalkhin Gol: A batalha mais decisiva da qual ninguém ouviu falar

21 de Janeiro de 2018 13:51
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Segunda Guerra teria sido totalmente outra sem o conflito entre japoneses e soviéticos na Mongólia

Os mongóis voltaram com seus amigos russos dois dias depois do primeiro incidente. Os japoneses em Nomonhan pediram ajuda, e ela veio com as tropas do 64º regimento, com carros leves e tropas de infantaria. Inicialmente, conseguiram expulsar os russos e mongóis com as táticas dos manuais japoneses. Mas os russos voltaram mais uma vez, liquidando o 64º em 28 de maio.

No mês de junho, japoneses e russos se enfrentaram esporadicamente, enquanto traziam mais tropas. O número de combatentes, que se mediam antes em dezenas (foram 97 mortos na destruição do 64º regimento), logo chegou a milhares. Em 1º de julho, os japoneses lançaram um assalto noturno em larga escala, com 75 tanques. Apesar de sérios problemas de comunicação (os tanques chegaram muito antes da infantaria), os japoneses expulsaram os russos para o outro lado do rio. Mas isso durou pouco. Os russos contra-atacaram com 186 tanques e 233 carros blindados, dominando novamente as duas bordas do rio no dia 3. Os tanques japoneses, com blindagem e armas inferiores, foram trucidados pelos tanques soviéticos.

Pouco antes do início oficial da Segunda Guerra, o Japão, já aliado da Alemanha nazista, planejava usar a Mongólia como plataforma para chegar à União Soviética, abrindo um front no sul do país. Para isso, enviou à região de Nomonhan, na Mongólia, perto do rio Khalkhin, 75 mil homens, tanques e aviões. Depois de quase quatro meses de luta, no fim de agosto, os soviéticos começaram a cercá-los, movendo seus 498 tanques pelos flancos, principalmente pelo sul do campo de batalha. A infantaria atacou os japoneses de frente e pelo norte. Atordoados pelo barulho dos 577 aviões inimigos que propositalmente voavam baixo, os japoneses não ouviram a aproximação dos tanques. E foram inapelavelmente massacrados.

Após mais duas semanas de impasse, no dia 23 de julho, os japoneses montaram outro grande ataque, com mais tanques, aviões e artilharia. Dessa vez, sua inferioridade tecnológica, logística e tática tornou-se gritante: a artilharia japonesa não conseguiu alcançar a russa para silenciá-la - os soldados japoneses marcharam sob tiros de artilharia e canhões e, por mais corajosos que fossem, morriam antes de alcançar os russos. Os aviões japoneses venciam os soviéticos no ar, mas o simples fato de terem de enfrentá-los, em vez de dar suporte à infantaria, diminuiu sua utilidade. Cinco mil soldados morreram antes que os japoneses desistissem do ataque.

Os japoneses fortificaram-se na retaguarda, enquanto tentavam preparar uma nova investida. O comandante soviético Georgy Zhukov, que mais tarde se tornaria o grande herói da defesa de Stalingrado, tinha uma carta na manga: contrariando tudo o que os japoneses esperavam, ele seria criativo. Em 20 de agosto, simulou um ataque frontal de infantaria, com 57 mil homens contra os cerca de 30 mil japoneses que resistiam. Era o tipo de coisa que os japoneses esperavam dos russos: força bruta, mas previsibilidade. Enquanto isso, 577 caças e bombardeiros os sobrevoavam constantemente, mesmo sem atirar. O objetivo era fazer barulho: sem que os japoneses percebessem, 498 tanques russos os cercavam pelo sul, enquanto parte da infantaria se movia silenciosamente pelo norte. Os japoneses acabaram totalmente cercados, mas, seguindo os preceitos da honra militar nipônica, recusaram-se a se render. Em 31 de agosto, passaram para o outro lado da fronteira estabelecida pelos soviéticos, e Zhukov considerou sua missão cumprida.

O general Michitaru Matsubara planejava mais um contra-ataque quando, no dia 16 de setembro, recebeu a notícia de que sua guerra estava encerrada. Tóquio havia feito um acordo de paz com os soviéticos. Além do fracasso na batalha, pesou na decisão do comando japonês o fato de que a Alemanha também havia acabado de assinar um armistício com os soviéticos. O tratado de Molotov-Ribbentrop, firmado em 23 de agosto de 1939, garantiu a paz entre os dois países e fez com que a Polônia fosse dividida em duas partes após a invasão pelos alemães, em 1º de setembro. O governo japonês considerou o pacto uma traição de seus aliados nazistas, mas qualquer plano de enfrentar a União Soviética ia por água abaixo com ele.

Segundo Edward Drea, os japoneses consideravam os soviéticos seus "inimigos naturais" desde a vitória em 1905. A questão não era se atacariam a União Soviética, mas quando. A ideologia japonesa tinha o característico socialismo de direita de Hitler e Mussolini, isto é, grandes programas sociais, mas também grandes corporações nacionais apoiadas e controladas pelo governo - nada de livre mercado. Como o fascismo à europeia, era radicalmente anticomunista.

Havia duas doutrinas sobre como abordar a questão soviética. A chamada nanshin-hon ("atacar ao sul"), defendida pelos líderes da Marinha e do Exército em Tóquio, consistia em conquistar colônias e recursos no oceano Pacífico e depois focar a Ásia continental e a União Soviética. E havia a doutrina hokushin-hon, ("atacar ao norte"), defendida principalmente por oficiais do Exército de Kwangtung e por anticomunistas mais radicais, como o ex-ministro da guerra Sadao Araki (1877-1966). Essa corrente previa cortar as linhas de suprimentos soviéticos ao norte da Mongólia e conquistar o leste da Rússia, principalmente a cidade de Vladivostok.

A derrota japonesa em Khalkhin Gol tornou claras suas deficiências em terra e na produção de tanques - e enterrou a ala hokushin-hon. Além disso, depois do episódio, o general Matsubara foi levado a Tóquio e aposentado - uma imensa desonra.

Fonte: aventurasnahistoria.uol.com.br

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