Agricultores sofrem com a redução do Programa de Aquisição de Alimentos

12 de Novembro de 2017 11:29

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O Governo Federal tem reduzido as verbas do PAA ano a ano. Tem agricultor familiar que já perdeu a produção por falta de comprador.

Quem lutou uma vida inteira por um pedacinho de terra, aproveita cada canto dela pra tirar o sustento da família. Pelo menos é assim que vive o produtor Agostinho Alves de Sousa. Em um assentamento em Planaltina, a 43 quilômetros de Brasília, ele cultiva alface, milho, mandioca, cebolinha. Agostinho só conseguiu produzir depois que entrou para o Programa de Aquisição de Alimentos, mais conhecido como PAA. “O PAA nos ajudou muito nessa questão, de entrar no mercado”, comenta.

Criado em 2003 pelo o governo federal, o PAA compra a produção de agricultores familiares e doa para asilos, creches e entidades sem fins lucrativos. Cada produtor pode vender no máximo oito mil reais por ano.

O problema é que a verba destinada ao programa vem caindo ao longo dos anos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, em 2012, no auge do PAA, o governo liberou R$ 839 milhões para a compra de alimentos. Em 2016 foram R$ 439 milhões. Neste ano, R$ 150 milhões, uma redução de 66% só neste último ano.

Agostinho sentiu o corte na pele. No ano passado, em seis meses, ele atingiu o limite de vendas para o governo. Já nesta safra... “Este ano eu só consegui vender R$ 3.500”, declara.

O agricultor José Irenaldo Junior tem uma propriedade em Remigio, agreste do estado. O agricultor vendia boa parte da produção para o PAA e para o Programa Nacional de Alimentação Escolar. O que era uma fonte de renda, virou problema. “A propriedade aqui era de dois hectares e agora está reduzida a uma. Se plantar mais não tem aonde colocar”, conta o agricultor.

Para se ter uma ideia, das 200 famílias que eram beneficiadas pelos programas no município, apenas 62 foram inscritas este ano. Os cortes nos recursos chegam perto dos 80%.

As instituições não governamentais que acompanham a execução dos programas na Paraíba estão preocupadas com o impacto dos cortes. “Com o programa, as famílias mudaram de vida porque muitas conseguiram equipar sua área de produção e sua própria casa”, explica Diógenes Pereira, assessor técnico da ASPTA.

Em uma propriedade de dois hectares, em Corumbataí do Sul, Marcia e Wilson cultivam morango. No ano passado a produção já tinham destino certo. “Se não fosse a cooperativa, eu ia perder toda a produção. Antes o morango era lavado e vendido em bandejas gerando emprego para mais gente da família. Como o morango não é mais vendido in natura, a fruta vai para o freezer, só que no freezer os morangos vermelhos e bonitos, que poderiam ter um preço melhor, é misturado às frutas menores e reduzido a um produto de pior qualidade, destinado à indústria. “Este ano eles estão pagando quatro reais o quilo. E no PAA saía sete reais”, conta.

Por enquanto a cooperativa da cidade está segurando parte do prejuízo. Lá as frutas continuam chegando, mas nem tudo é vendido. As câmaras frias construídas graças a garantia de programas como o PAA estão cheias de polpas de fruta, porque o produto fresco não encontra mercado.

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Fonte: g1.globo.com

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