Amiga da mãe de Joaquim depõe sobre relacionamento da família

25 de Novembro de 2013 14:21

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Amiga da mãe de Joaquim depõe sobre relacionamento da família

Ela falou sobre convivência entre mãe e padrasto do menino, diz delegado. PMs e bombeiro também devem prestar esclarecimento nesta segunda-feira.

Uma amiga da mãe do menino Joaquim Ponte Marques prestou depoimento na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto (SP) na manhã desta segunda-feira (25). Além da mulher, dois policiais militares - os primeiros a chegar à casa da família na manhã do sumiço do garoto - e um bombeiro - que realizou as primeiras buscas pela criança - também serão ouvidos.

O delegado Paulo Henrique Martins de Castro, que chefia a investigação do caso, disse esperar que as declarações dos quatro envolvidos ajudem a esclarecer contradições entre os depoimentos da mãe de Joaquim, a psicóloga Natália Ponte, e do marido, o técnico em TI Guilherme Longo, padrasto do menino. O casal permanece preso há 13 dias, desde que a Justiça acatou o pedido de prisão temporária contra eles, no dia 10 de novembro.

Castro não informou detalhes sobre o depoimento da amiga de Natália, mas disse que levantou questões como o relacionamento entre a mãe de Joaquim e o marido, e a forma como Longo travava o menino.

“Ela acrescentou poucos detalhes que a gente não sabia, mas foi importante para traçar o perfil de convivência do casal e o perfil da mãe”, disse o delegado, destacando que ainda reúne provas para esclarecer a participação de Natália na morte de Joaquim. "Ainda é precoce falar qualquer coisa a respeito."

Sobre as afirmações de Natália, de que era ameaçada e agredida por Longo, o delegado disse que a amiga da mãe de Joaquim não soube informar detalhes, porque não convivia diariamente com o casal. "Mas relatou alguns fatos que são de interesse para o inquérito policial", afirmou Castro.

Em depoimentos à polícia, Natália descreveu um perfil agressivo do marido, afirmando que ele sentia ciúmes dela e do enteado. A psicóloga contou também que já foi ameaçada de morte por Longo e que ele castigava Joaquim. Sobre a relação do casal, Natália disse que desde janeiro os dois começaram a se desentender e chegaram a ficar um mês separados.

Longo, por outro lado, nega as agressões e ameaças, e diz que não é uma pessoa ciumenta. O padrasto afirma que tinha um bom relacionamento com Joaquim e que era muito carinhoso com o menino. Segundo ele, o casamento começou a ter um desgaste em setembro deste ano, quando Natália descobriu que ele havia voltado a usar cocaína.

Investigação

Ainda na manhã desta segunda-feira, Castro afirmou que que pedirá a quebra de sigilo telefônico de outras pessoas ligadas à família do garoto. Sem detalhar quem são os envolvidos, Castro explicou que os relatórios são importantes para esclarecer contradições no caso e ajudar a concluir o inquérito.

Até agora, o delegado teve acesso apenas a parte das ligações telefônicas recebidas e realizadas pela mãe do garoto, a psicóloga Natália Ponte, e pelo padrasto, o técnico em TI Guilherme Longo, e por outros dois familiares próximos ao casal, no dia do desaparecimento de Joaquim. Castro disse esperar que o documento final com todos os registros, que foi concedido pela Justiça no dia 12 de novembro, seja entregue à Polícia Civil ainda esta semana.

O delegado também aguarda que o resultado dos testes toxicológicos feitos nos órgãos e no sangue da criança seja entregue ainda esta semana. O exame foi solicitado porque o laudo inicial apontou que as únicas lesões encontradas na pele foram em decorrência dos dias em que o corpo foi arrastado pelo rio. Além disso, não foi encontrada água nos pulmões de Joaquim, o que indica que não houve morte por afogamento.

O caso

Joaquim Ponte Marques, de 3 anos, desapareceu de dentro de casa, em Ribeirão Preto (SP), na madrugada de 5 de novembro. O corpo foi encontrado cinco dias depois, boiando no Rio Pardo. Ele foi enterrado na segunda-feira (11), em São Joaquim da Barra (SP), cidade natal da mãe.

A mãe e o padrasto estão presos temporariamente, considerados suspeitos de envolvimento no sumiço e na morte da criança. Nesta segunda-feira (18), a Justiça também negou o pedido de revogação da prisão de Longo, que entrou com pedido de habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

A polícia suspeita que Joaquim, que era diabético, tenha recebido uma alta dosagem de insulina, e que teria o levado à morte.O promotor que acompanha o caso, Marcus Túlio Nicolino, afirmou que a polícia e o Ministério Público continuam trabalhando com ‘a linha de que o assassino estava dentro da casa’. Segundo o Instituto Médico Legal (IML), porém, não é possível determinar a causa da morte da criança.

Fonte: g1.globo.com

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