Artistas fazem intervenção em bem tombado e provocam polêmica no CE

21 de Novembro de 2013 23:00

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Artistas fazem intervenção em bem tombado e provocam polêmica no CE

Farol do Mucuripe foi um dos locais grafitados em festival de arte urbana. Prédio do século XIX apresenta más condições de preservação.

Muros e prédios de Fortaleza se tornaram painéis de artistas urbanos como parte da programação do "Festival Concreto – 1° Festival Internacional de Arte Urbana". Desde 15 de novembro, intervenções de grafitagem foram concluídas ou estão sendo finalizadas no Instituto Penal Professor Olavo Oliveira, Centro Dragão do Mar, Casas de Cultua da Universidade Federal do Ceará e caixa d´água da Avenida Leste Oeste. Entre elas, a do Farol do Mucuripe, edificação do século 19 e tombada pelo governo estadual, provocou polêmica e chamou a atenção para as más condições de preservação do prédio.

O farol localizado na Rua Vicente de Castro, no Bairro Serviluz, teve as paredes externas pintadas por três artistas convidados pelo festival. “A cidade está toda tomada de pichação e, quando pintamos o farol, um local que estava abandonado e pichado, resolvem reclamar?”, diz Narcélio Grud, um dos organizadores do festival que tem patrocínio da Prefeitura de Fortaleza e do Governo do Estado.

A Secretaria da Cultura, por meio da Coordenadoria do Patrimônio Artístico, Histórico e Cultural (Copahc), é responsável por vistoriar e fiscalizar a manutenção e estado de conservação da edificação. De acordo com o Governo do Estado, qualquer intervenção realizada em bem tombado deve ser feita com autorização prévia e orientação do órgão. O coordenador do festival não informou sobre a realização dos trabalhos no farol. “Não pedimos. Foi uma intervenção urbana mesmo”.

Para o arquiteto e urbanista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Romeu Duarte, a grafitagem no farol é um crime. “A preservação é regida por leis. Não se concebe, em qualquer hipótese, a agressão e o desrespeito a um bem nessas condições. Os artistas não estão acima da lei. Sabe-se que o farol está em péssimo estado de conservação. Sua situação não se resolverá 'chamando a atenção' do público com rabiscos ilegais”, afirma.

Interdição e restauração

Depois da grafitagem, a Secult realizou uma visita técnica ao local na quarta-feira (20). O relatório da vistoria recomendou a interdição provisória dos acessos às áreas internas e a colocação de tapumes cercando a edificação. De acordo com o documento, o bem que completa 30 anos de tombamento no dia 30 de novembro, está com "deterioração nas paredes internas e externas, nas esquadrias, na escada em ferro fundido, além das áreas adjacentes e escadarias comprometidas por atos de vandalismo, intempéries e proliferação de ervas daninhas”.

Segundo o secretaria, a Copahc recomenda um restauro no local há dois anos. Em 2011, após uma outra vistoria, foi encaminhado à Marinha do Brasil um relatório propondo medidas para evitar a deterioração do equipamento. A última restauração na edificação foi feita em 1982, um ano antes de ser decretado o tombamento.

A Marinha do Brasil afirmou que não administra o farol desde 1958 quando foi construído um novo farol, na Rua Ismael Pordeus. Assim que foi desativado, de acordo com a instituição, a edificação passou a ser de responsabilidade administrativa da Superintendência do Patrimônio da União. O Farol do Mucuripe foi construído no período de 1840 a 1846 e é uma das edificações mais antigas de Fortaleza. Em 1846, passou por um incêndio, reformas em 1872, e em 1957, foi desativado por ter se tornado obsoleto. O patrimônio já abrigou o Museu do Jangadeiro.

Fonte: g1.globo.com

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