As idades da vida. O tempo que passa nos olhos

16 de Setembro de 2018 13:51

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Era 1945. Seu Aristides desistiu de viver na paupérrima Caetés, no sertão do Pernambuco. Migrou para Santos, no litoral paulista. Levou seu filho mais velho e uma prima de Dona Lindu, sua esposa. Para trás, ficaram outros sete filhos aos cuidados maternos. Luis Inácio era um deles.

Quando Dona Lindu reuniu os 7 filhos e viajou por 13 dias e 13 noites na boléia de um caminhão improvisado, esperava encontrar o marido e ver o mar. Encontrou Aristides vivendo com sua prima. Tinha constituído outra família.

Dona Lindu e seu rebentos foram viver sob o mesmo teto de lata na cidade litorânea dos ricos. Guarujá foi o primeiro destino de Luis Inácio em São Paulo. Onde um célebre triplex, décadas depois, o devolveria a um péssimo estado de vida. Do teto de lata para a cadeia. Guarujá é, sem dúvida, o inferno dantesco de Luis Inácio e de Lula, seu apelido familiar.

Até Dona Lindu se separar do alcoólico Aristides e levar os filhos para a capital paulista, Lula vendeu laranjas pela orla santista, catou caranguejos no mangue, engraxou sapatos e trabalhou em uma tinturaria. Em 1961, formou-se torneiro mecânico. Cinco anos depois, conseguiu emprego na metalúrgica Villares. Na "Detroit brasileira, São Bernardo do Campo, sede da Volks, da Ford, da Mercedes e da Toyota, Luis Inácio virou o Lula Sindicalista. Contra a vontade de Dona Lindu.

Primeiro de bigode. Depois barbudo, para copiar os comunistas de Fidel Castro. Lula se tornou uma marca, transcendeu sua humanidade. Sua voz rouca encantava as multidões de pobres nos comícios.E de ricos nas reuniões fechadas com ar condicionado e canapés. Seu discurso fácil convencia. O dólar flutuava na casa dos dois reais.

Fonte: campograndenews.com.br

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