Comissão da Câmara pede a Alckmin informações sobre travesti presa

17 de Abril de 2015 18:38

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Comissão de Direitos Humanos quer apurar se houve tortura e racismo.Verônica Bolina teve rosto desfigurado após prisão e relatou agressão.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados encaminhou nesta quinta-feira (16) pedido de informações ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e ao procurador-geral de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, sobre as denúncias de agressões à travesti Verônica Bolina.

Ela foi detida na sexta-feira (10) por suspeita de tentar matar uma vizinha idosa. Depois, no domingo (12), arrancou a dentadas a orelha de um carcereiro dentro de um distrito policial. Conforme a Defensoria Pública, ela alega que foi agredida e torturada “em vários momentos” no 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, em São Paulo. Nesta quinta (16), Verônica deixou a carceragem da delegacia e foi transferida para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros.

De acordo com a assessoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos, o colegiado quer verificar se houve “crimes de tortura, agressão, racismo e homofobia” por parte das autoridades policiais contra Verônica.

No ofício enviado a Alckmin e ao MP-SP, Paulo Pimenta pede “rigorosa” investigação do ocorrido, “com vistas à punição exemplar dos culpados”.

Ele afirma, no documento, que “nenhum ato que tenha sido praticado pela vítima, em legítima defesa ou não, tem o condão de justificar tamanha violência policial”.

Para o Núcleo Especializado de Combate à Discriminação da Defensoria Pública, há indícios de tortura, maus-tratos, excessos, abusos, exposição indevida da imagem, coação e constrangimento ilegal envolvendo a prisão e contenção de Verônica.

"Há suspeita de tortura em virtude de como o rosto de Verônica ficou desfigurado", diz a defensora pública Juliana Belloque. "É difícil acreditar que para conter uma presa ela tenha que ficar com o rosto espancado".

A denúncia de agressão foi feita, inicialmente, ao Centro de Cidadania Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT), vinculado à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo. Campanha na internet #SomostodasVerônica pede respeito às travestis.

Nota divulgada pelo Centro de Cidadania informa que Charleston Alves Francisco, de 25 anos, "que usa o nome social de Verônica Bolina, relatou ter sofrido agressão em vários momentos por parte de policiais militares e de "preto", fazendo referência aos agentes do Grupo de Operações Estratégicas (GOE), ocorridas no momento de sua prisão” e “durante o episódio em que atacou o carcereiro da Polícia Civil por conta de uma troca de cela e no Hospital do Mandaqui quando do atendimento médico”.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Corregedoria da Polícia Civil instaurou procedimento para apurar a conduta dos policiais envolvidos na contenção de Verônica e o vazamento de fotos relacionadas ao caso.

Fonte: g1.globo.com

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