Criança com plano de saúde aguarda transferência em hospital público

27 de Julho de 2014 15:30

19 0

Criança com plano de saúde aguarda transferência em hospital público

Menino de 11 anos está internado há quase 1 ano em hospital infantil no AP.Plano diz que aguarda liberação médica e presta assistência.

Um menino de 11 anos aguarda há quase um ano por um leito em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) fora do Amapá. Desde o dia 16 de agosto de 2013, a criança, beneficiária em um plano de saúde privado há 9 anos, está internada em estado grave na unidade pública de saúde Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), em Macapá. O garoto sofre com problemas neurológicos desde a infância, segundo a mãe, por causa do atraso no nascimento.

O menino respira com a ajuda de aparelhos. A mãe da criança, Leidiane Rodrigues, diz que durante a internação no hospital infantil, o filho quebrou o fêmur e um braço, e contraiu infecções por bactérias, o que provocou o seu isolamento na UTI. A operadora responsável pelo plano de saúde do garoto não oferece atendimento de UTI pediátrica no Amapá.

“Assim que meu filho passou mal durante a noite com uma febre de 49 graus e dores, a Unimed [operadora do plano de saúde] mandou ele para o HCA, e já fiz os pedidos de transferências várias vezes para outro estado, mas nunca me deram resposta”, lamentou a mãe.

Ela conta que chegou a pedir ajuda ao Ministério Público do Estado (MP), para garantir o tratamento e a transferência do filho para outro estado. Uma determinação foi emitida à Unimed, para que oferecesse total assistência ao paciente, no que diz respeito a consultas e medicamentos. Leidiane diz que o auxílio está sendo prestado, mas não há previsão para a transferência do menino.

Paula Silveira, responsável pelo setor de assistência social da Unimed, disse que em nenhum momento houve a recusa do hospital em ofertar o leito. Segundo ela, a responsabilidade em pedir a transferência da criança deve partir da família e dos médicos do HCA.

“Uma solicitação chegou ao serviço social da Unimed há nove meses, mas, à época, havia riscos para a vida da criança, pois dependemos da autorização dos médicos que cuidam dele lá. Não oferecemos o serviço aqui, mas se foi pedida essa transferência, o hospital vai ofertar, claro respeitando toda a segurança que uma operação dessa leva”, justificou Paula.

A diretora do HCA, Joelma Santos, disse que quando ocorrer a solicitação da transferência para um hospital particular, a equipe médica fará uma avaliação do estado da criança. Sobre as fraturas e infecções contraídas pelo filho dentro da rede pública, Joelma informou que o estado grave de saúde do paciente causou fragilidade no organismo.

“As fraturas não ocorreram por queda, e sim de forma espontânea pelo fato de ficar muito tempo deitado. Segundo o laudo médico, o corpo dele está bastante comprometido e os ossos estão ficando frágeis. Mas o HCA está ofertando todo o atendimento possível para a criança”, afirmou a diretora.

Leidiane, que acompanha o filho todos os dias no hospital, disse que não vai perder as esperanças. Para ela, a lentidão na transferência do garoto é uma negligência. “Eu espero ver meu filho sair dessa situação e voltar para casa. Quero vê-lo sorrindo de novo”, disse.

O menino faz aniversário no dia 1º de agosto, e no dia 16 completa um ano de internação no hospital à espera de um leito em outro estado. “Meu pequeno vive consequências de ter nascido depois da hora. Ele não fala, não anda, não senta e sempre se alimentou por sonda, mas na medida do possível ofertamos para ele uma vida normal”, disse Leidiane, que tem outros dois filhos.

Fonte: g1.globo.com

Para página da categoria

Loading...