Dólar atinge R$ 3,28 e recua, mas fecha no maior valor em quase 12 anos

13 de Março de 2015 20:36

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O dólar bateu R$ 3,28 nesta sexta-feira (13), mas recuou e fechou cotado a R$ 3,25 nesta sessão, no maior valor em quase 12 anos. Pesquisa da Folha em casas de câmbio de São Paulo encontrou a moeda a R$ 3,48.

A moeda subiu pelo terceiro dia seguido pressionada pela instabilidade no cenário político do Brasil, marcado por protestos que devem reunir manifestantes contrários ao governo e favoráveis a ele, o que alimenta a preocupação dos investidores com a situação local.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou em alta de 2,91%, a R$ 3,251, o maior patamar desde 2 de abril de 2003. Na semana, a alta foi de 6,59%, e no ano o dólar sobe 22,8%.

O comercial, usado no comércio exterior, avançou 2,81%, a R$ 3,250, no maior valor desde 3 de abril de 2003. Na semana, subiu 6,3%, e no ano a alta é de 22%.

"Os protestos de domingo podem abalar ainda mais a popularidade da presidente Dilma Rousseff e dificultar a implementação das medidas de ajuste fiscal necessárias para colocar as contas do governo em uma trajetória sustentável e, assim, evitar o rebaixamento da nota de crédito brasileira pelas agências de classificação de risco", diz Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil.

Outro fator que pesou foi a preocupação com os ajustes fiscais, afirma Luís Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos. "O cenário político está impactando a confiança do mercado, e muito disso deve-se ao risco que temos de uma potencial saída do ministro Joaquim Levy [Fazenda]", diz.

"Ele está engessado no campo político. Não tem como o próprio Levy aprovar as medidas de ajuste fiscal no Congresso", ressalta.

O risco de o ajuste fiscal ficar comprometido por causa da derrubada de um veto presidencial levou o ministro Joaquim Levy (Fazenda) a fazer um desabafo, usado por governistas para pressionar seus aliados, de que neste caso preferia pedir demissão.

A ameaça do ministro foi feita na última quarta-feira (11), quando o Congresso quase derrubou o veto da presidente Dilma à prorrogação até 2042 dos subsídios sobre a energia elétrica para grandes empresas do Nordeste.

No governo também vigora a avaliação de que o mercado está testando o Banco Central para saber se a autoridade monetária vai atuar para conter a alta da moeda americana.

Segundo auxiliares, o governo não vai "piscar" e só tomará medidas em caso de avaliar que o quadro vai além de uma forte volatilidade provocada pelo momento de instabilidade política no Brasil e por fatores externos.

Na manhã desta terça, o Banco Central deu sequência às vendas de contratos de swap que tem sido feitas normalmente, segundo programa de intervenções no mercado já em vigor.

Mas não são só as tensões domésticas que impulsionaram o dólar ante o real. O cenário externo também contribuiu para a forte valorização da moeda americana. Das 24 principais moedas de países emergentes, 22 se desvalorizaram em relação ao dólar nesta sessão.

Na semana que vem ocorre a reunião do Federal Reserve (Fed, banco central americano) e analistas esperam que a autoridade monetária retire de seu comunicado a palavra "paciente" ao se referir a um possível aumento na taxa de juros nos Estados Unidos.

Uma elevação dos juros deixa os títulos americanos -considerados de baixo risco e cuja remuneração acompanha a oscilação da taxa- mais atraentes aos investidores internacionais, que preferem aplicar seus dólares lá a levar os recursos para países de maior risco -como emergentes, incluindo o Brasil.

Diante da perspectiva de entrada menor de dólares no Brasil, o preço da moeda americana sobe em relação ao real.

Fonte: 1.folha.uol.com.br

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