Em depoimento, ex-administrador reforça suspeita sobre relações entre empreiteira e doleiro

29 de Setembro de 2014 22:39

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BRASÍLIA - O advogado Carlos Alberto Pereira fez novas revelações nesta segunda-feira que reforçam as suspeitas sobre as transações entre as empresas Camargo Correa, a Sanko Sider e o doleiro Alberto Youssef, acusado de lavar dinheiro de propina de obras supostamente superfaturadas da Petrobras. Em depoimento na 13ª Vara Federal de Curitiba, Pereira afirmou que nunca viu o ex-chefe Alberto Youssef intermediar vendas de tubos da Sanko Sider para a Camargo Corrêa. Pereira é ex-administrador da GFD Investimentos, uma das empresas de Youssef, e um réu colaborador nas investigações da Operação Lava-Jato.

Pereira reforçou as suspeitas também de que Youssef fazia negócios diretamente com dirigentes da Camargo Corrêa e não apenas por intermédio da Sanko Sider. Ao responder uma das perguntas do juiz, o advogado disse que o contato de Youssef na Camargo era Eduardo Leite, um dos mais poderosos diretores da empresa. O doleiro também tinha como interlocutor também João Alder, do Conselho de Administração da empresa. O conselheiro seria concunhado de João Procópio, um dos principais auxiliares de Youssef. Procópio está preso em Curitiba. Ele é suspeito de administrar parte do dinheiro do doleiro no exterior.

Pereira reafirmou ainda que a Sanko Sider, do empresário Márcio Bonilho, fez contratos falsos para justificar repasses de dinheiro para Youssef. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal suspeitam que a Sanko Sider tenha sido usada pela Camargo Corrêa para repassar dinheiro para Youssef. A empreiteira lidera o consórcio de construção da refinaria Abreu e Lima, da Petrobras, em Pernambuco, obra sob suspeita de superfaturamento e outras irregularidades. O advogado falou sobre a Camargo Corrêa ao responder perguntas do juiz Sérgio Moro sobre as relações da empreiteira com a Sanko Sider e Youssef.

Moro perguntou se Pereira já tinha visto alguma vez Youssef intermediando "negócios comerciais" da Sanko Sider ou "negociando com a Camargo Corrêa.

Pereira era administrador e procurador da GFD Investimentos. Nesta condição, os contratos da empresa, inclusive com a Sanko Sider, eram assinados por ele. O advogado reafirmou ainda que a GFD Investimentos não prestou serviços de consultoria a Sanko Sider como alega a defesa da empresa. Segundo ele, os contratos foram firmados apenas para justificar repasses da Sanko Sider para Youssef a título de "comissão" por suposta venda de tubos.

- O objeto do contrato era diferente daquele que se originava o recurso - reafirmou o advogado.

As relações entre a Camargo Corrêa, Sanko Sider e Youssef vem sendo investigadas desde o início da Lava Jato, em março deste ano. No material apreendido na primeira fase da operação, a Polícia Federal encontrou contratos e notas fiscais emitidas pela GDF para a Sanko Sinder para justificar serviços, aparentemente, não prestados. Também descobriu indícios de triangulação nas transações entre a Camargo Corrêa, a Sanko Sider e a empresa de Youssef.

Fonte: extra.globo.com

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