Em disparada no mundo todo, dólar fecha a R$ 3,24

13 de Março de 2015 20:51

4 0

O dólar fechou esta sexta-feira cotado a 3,24 reais, uma alta de quase 3%, em meio ao pessimismo com o cenário político e econômico brasileiro. Este é o maior patamar em 12 anos, desde abril de 2003.

Para André Guilherme Pereira Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, o cenário e o clima são ruins, influenciados ainda por questões políticas e pela manifestação de domingo. Apesar do clima doméstico, a alta da moeda americana faz parte de um movimento global.

Perfeito acha exagero dizer que há fuga de capitais no país. "Não há fuga de capitais como vimos em outros períodos." Para o economista, o Banco Central não tem que intervir no câmbio. "O câmbio está flutuando e tem que continuar, ele [câmbio] faz parte do ajuste", acredita. "E acho que não vai intervir também, acho que o BC vai agir via taxa de juros, para conter os ânimos e a inflação", diz.

O economista lembra que a situação atual remete a um momento muito parecido com 2003, quando o Banco Central teve que agir de maneira forte para conter que a alta do dólar se tornasse uma inflação ainda mais persistente no ano seguinte.

Tendo isso em mente, a Gradual alterou sua projeção para a taxa básica de juros, a Selic, de 13,50% para 14,50% este ano. O câmbio também foi alterado, de 2,80 reais para 3,50 reais e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, que mede a inflação oficial, de 6,40% para 8% para o final de 2015. Par ao Produto Interno Bruto, a Gradual mantém a projeção de -1% este ano.

Assim como economista-chefe da Gradual, o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, concorda que as incertezas disseminaram o pessimismo no mercado. "Não temos noticias boas pela frente. A instabilidade política e a não progressão das reformas fiscais interferem e podem resultar em um downgrade lá na frente. A situação está caótica", alerta.

Galhardo acredita ainda que a situação atual é reflexo do "desmazelo de políticas anteriores". "Desde Sarney, quando tivemos uma política industrial despreocupada, que mais estava focada em exportar taxa do dólar do que uma mercadoria competitiva. Fora a falta de investimentos lá atrás." Mas prossegue dizendo que aprendemos com o erro, "vamos sair dessa com mais força".

Fonte: veja.abril.com.br

Para página da categoria

Loading...