Filho de militar ainda não sabe que irmão foi envenenado, diz advogado

17 de Abril de 2015 19:25

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Filho de militar ainda não sabe que irmão foi envenenado, diz advogado

Lewdo Bezerra, de 9 anos, foi envenenado com chumbinho, em Fortaleza.Inquérito policial aponta a mãe, Cristiane Coelho, como autora do crime.

O filho mais novo do subtenente do Exército Francileudo Bezerra ainda não sabe da morte do irmão mais velho, Lewdo Bezerra, de 9 anos. De acordo com o advogado do subtenente, Walmir Medeiros, a notícia será dada pelo pai, quando a Justiça lhe conceder a guarda do filho. O crime ocorreu em Fortaleza em novembro de 2014.

"Ele vai trabalhar essa questão com ajuda especializada, já que a criança também tem autismo", explica. O filho caçula, de 6 anos, está em Recife na companhia da mãe, Cristiane Coellho. Nesta quarta-feira (15), o delegado Wilder de Brito Sobreira, do 16º Distrito Policial, divulgou o inquérito que apurou o assassinato de Lewdo Bezerra e apontou a mãe como a autora do envenenamento do filho do filho mais velho. O pedido de guarda foi feito na Vara da Família nesta quinta-feira (17).

Na madrugada de 11 de novembro de 2014, o subtenente do Exército Francileudo Bezerra e seu filho Lewdo Bezerra ingeriram veneno para rato conhecido como "chumbinho". O pai ficou em coma por uma semana e se recuperou. Francileudo chegou a ser apontado como suspeito de homicídio, porque, na madrugada do crime, a mulher contou à polícia que ele tinha matado o filho com tranquilizantes e tentado se matar, além de agredi-la.

No primeiro depoimento de Cristiane Coelho à Polícia, ela disse que o marido obrigou a ela e ao filho que ingerissem tranquilizantes com objetivo de matá-los e, em seguida, tentou suicídio com remédios. O subtenente chegou a ser preso em flagrante pelo crime e levado para o Hospital do Exército, onde ficou em coma. Após a conclusão do laudo, a polícia descartou a hipótese defendida pela mãe, atualmente a única suspeita do crime.

"Não há uma prova, é um conjunto de provas que demonstra cabalmente que fica impossível a defesa fazer contestações (...). Cada laudo complementa o outro", explica o delegado Wilder Brito. De acordo com o delegado, um dos laudos anexados ao inquérito é do notebook usado por Cristiane Coelho, que mostra algumas pesquisas feitas por ela e, posteriormente foram deletadas.

"Ela pesquisou como matar uma pessoa envenenada, de como seria a dosagem (...). O tempo para matar uma pessoa envenenada dura de 30 minutos a duas horas, dependendo da dosagem, do aspecto físico da pessoa. No caso da criança, é de 30 minutos. Ela estudou tudo isso durante o período em que ela dizia que estava dormindo", diz.

“Os equipamentos eletrônicos foram enviados ao núcleo de informática [perícia], e neles os peritos descobriram situações que precisavam ser esclarecidas”, disse o perito José Cordeiro de Oliveira. Por isso, segundo ele, houve a necessidade da segunda reconstituição do crime, feita em 8 de abril.

De acordo com as investigações, Cristiane Coelho envenenou o filho com chumbinho adicionado a sorvete de morango, na casa onde a família vivia no Bairro Dias Macêdo, em Fortaleza. "A Cristiane, que dizia ter sido espancada pelo marido, matou o filho envenenado fazendo uso de sorvete de morango. Não há mais dúvida", afirmou o delegado Wilder Brito.

Prisão preventiva O delegado afirmou que está concluindo o relatório do inquérito que deve ser encaminhado nesta semana ao Ministério Público do Estado do Ceará. No relatório, o delegado pede o indiciamento e a decretação da prisão preventiva de Cristiane Coelho por homicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio do marido.

"O laudo [pericial] reafirma tudo o que a gente já suspeitava, que quem matou o menino Lewdo foi a Cristiane, a própria mãe, e quem envenenou o pai [de Lewdo Bezerra] foi também a mãe", disse Wilder Brito.

Após o recebimento do relatório, cabe ao promotor de Justiça Humberto Ibiapina, da 3ª Vara do Júri, se manifestar contra ou a favor da prisão. A juíza Christianne Magalhães Cabral, titular da 3ª Vara do Júri, pode acatar, ou não, o parecer do promotor. No caso de concordância com prisão, a juíza expede um mandato de prisão e envia por carta precatória à Justiça do Pernambuco, para que cumpra o mandado e prenda Cristiane Coelho.

Autismo Também chamado de transtorno do espectro autista, o autismo tem influência genética. Caracteriza-se por dificuldades significativas na comunicação e na interação social, além de alterações de comportamento, expressas principalmente na repetição de movimentos, como balançar o corpo ou rodar uma caneta.

De acordo com especialistas, para o autista, o relacionamento com outras pessoas costuma não despertar interesse. O contato visual com o outro é ausente ou pouco frequente e a fala, usada com dificuldade e a comunicação acaba se dando, principalmente, por gestos. Para o autista, o mundo parece ameaçador e mudanças bruscas na rotina de um autista pode desencadear crises de agressividade.

Fonte: g1.globo.com

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