Funcionários públicos de GO faltam para apoiar presos do mensalão no DF

21 de Novembro de 2013 13:50

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Funcionários públicos de GO faltam para apoiar presos do mensalão no DF

Funcionários da prefeitura e da Câmara Municipal de Goiânia deixaram de trabalhar nesta quarta-feira para seguirem em caravana que levou militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) ao Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, onde participaram de ato em apoio aos petistas condenados no processo do mensalão presos neste final de semana. Eles se juntam a outros militantes que estão na porta do presídio desde a chegada dos condenados. Entre os servidores que foram liberados estão dois funcionários do gabinete do vereador Carlos Soares (PT), que é irmão do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, um dos condenados que cumpre pena no local.

Os faltosos são os servidores Allana Marinho, da Secretaria Extraordinária de Acompanhamento de Projetos; Ana Beiro, da Controladoria-Geral do Município; Reginaldo Barbosa, da Secretaria Extraordinária de Movimentos Sociais e Comunitários - todos com os nomes constando na folha de pagamento municipal -; além Christiane de Paula Rodrigues, estagiária no gabinete do vereador Tayrone Di Martino (PT); e Christiano Pimenta e Weldes Medeiros, motorista e chefe de gabinete de Carlos Soares.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Governo, pasta à qual está vinculada a Secretaria Extraordinária, informou que os faltosos serão “observados” e que as sanções serão aplicadas. A mesma resposta foi dada pela Controladoria-Geral do Município. As punições aplicadas podem ser o corte do ponto, mas em casos nos quais o não comparecimento é frequente, pode ser aberto um processo administrativo. No entanto, cada caso será analisado individualmente.

Em relação aos funcionários dos vereadores, Tayrone Di Martino não foi encontrado para falar sobre a falta de sua estagiária. Já Carlos Soares, em um primeiro momento, disse não saber onde estavam seus funcionários porque não estava na Câmara, mas, logo em seguida, justificou que não os considerou faltosos porque estavam trabalhando em uma atividade de partido.

“Eles estão em uma movimentação do nosso partido. Então, não vou cortar o ponto dele porque ele é da juventude do PT de Goiânia, que decidiu fazer isso, e ele, como militante, solicitou autorização para ir, como vamos em todos os atos que consideramos importantes do partido”, afirmou, referindo-se a Weldes Medeiros.

Pouco tempo antes da entrevista do vereador por telefone, o chefe de gabinete de Carlos Soares postava uma foto no Facebook com a legenda “já na trincheira da resistência”, na qual aparece ao lado de outros militantes do partido dentro de uma espécie de barracão. Ainda durante a tarde, Weldes deu entrevistas para jornais e agências de notícias sobre uma vigília por José Genoino, ex-presidente do PT e também levado para a Papuda. Nos comentários, um internauta pergunta: “Bugalu tudo isso e pra ti não trabalha ???? (sic)."

As redes sociais foram o meio de divulgação da caravana. Ainda durante a madrugada desta quarta-feira, uma das caravanistas divulgou: “Nós, jovens do PT, estaremos saindo agora a pouco em caravana aqui de Goiânia para nos juntar ao companheiros que estão desde do dia 16/11 acampados na porta do Complexo Prisional para prestar solidariedade aos companheiros Delubio Soares, José Genoino e José Dirceu, que estão passando por mais essa arbitrariedade. #DaLutanãonosRetiramos #VamoqueVamo (sic)”, diz a postagem, na qual foram marcados todos os funcionários faltosos de ontem.

O Terra não conseguiu contatar os servidores envolvidos na matéria. Uma relação comum entre os faltosos é a proximidade com Delúbio Soares, já que ao menos quatro deles têm em seu Facebook fotos ao lado do petista, condenado a oito anos e 11 meses em regime fechado por envolvimento no mensalão.

O mensalão do PT ​​​​Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio responderam ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado doPP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles responderam por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A então presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) respondeu processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia incluía ainda parlamentares do PP, PR(ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson. Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e o irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.

A ação penal começou a ser julgada em 2 de agosto de 2012. A primeira decisão tomada pelos ministros foi anular o processo contra o ex-empresário argentino Carlos Alberto Quaglia, acusado de utilizar a corretora Natimar para lavar dinheiro do mensalão. Durante três anos, o Supremo notificou os advogados errados de Quaglia e, por isso, o defensor público que representou o réu pediu a nulidade por cerceamento de defesa. Agora, ele vai responder na Justiça Federal de Santa Catarina, Estado onde mora. Assim, restaram 37 réus no processo.

No dia 17 de dezembro de 2012, após mais de quatro meses de trabalho, os ministros do STF encerraram o julgamento do mensalão. Dos 37 réus, 25 foram condenados, entre eles Marcos Valério (40 anos e 2 meses), José Dirceu (10 anos e 10 meses), José Genoino (6 anos e 11 meses) e Delúbio Soares (8 anos e 11 meses).

Após a Suprema Corte publicar o acórdão do processo, em 2013, os advogados entraram com os recursos. Os primeiros a serem analisados foram os embargos de declaração, que têm como função questionar contradições e obscuridades no acórdão, sem entrar no mérito das condenações. Em seguida, o STF decidiu, por seis votos a cinco, que as defesas também poderiam apresentar os embargos infringentes, que possibilitariam um novo julgamento para réus que foram condenados por um placar dividido – esses recursos devem ser julgados em 2014.

Em 15 de novembro de 2013, o ministro Joaquim Barbosa decretou as primeiras 12 prisões de condenados, após decisão dos ministros de executar apenas as sentenças dos crimes que não foram objeto de embargos infringentes. Os réus nesta situação eram: José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Marcos Valério, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Henrique Pizzolato, Simone Vasconcelos, Romeu Queiroz e Jacinto Lamas. Todos eles se apresentaram à Polícia Federal, menos Pizzolato, que fugiu para a Itália.

Fonte: m.terra.com.br

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