Governo reclama de índices da educação nacional divulgados em relatório da ONU 

27 de Julho de 2014 15:02

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Governo reclama de índices da educação nacional divulgados em relatório da ONU 

Para ministros, atualizações no desempenho da área fariam Brasil saltar 12 posições no IDH 

O governo federal destacou na última quinta-feira (24) que a expectativa de tempo de estudo no Brasil chega a 16,3 anos. O número é mais atual e superior aos 15,2 anos considerados pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) no relatório do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) divulgado nesta semana.

Pelo discurso do governo, uma criança brasileira que começa a estudar agora ficará em salas de aula o mesmo tempo que um estudante na Alemanha. Nesse sentido, o indicador nacional estaria à frente do período na Suíça (15,7), no Canadá (15,9), na Suécia (15,8), no Reino Unido (16,2) e no Japão (15,3).

Segundo o IDH, a média de anos de estudo de brasileiros com 25 anos ou mais é hoje de 7,2 anos. Como esse índice, o País fica na 79º colocação entre as nações com populações mais estudadas, atrás de Cuba, Venezuela, Chile e Argentina. Porém, mantém-se entre outras 50 consideradas com alto IDH.

Entretanto, o governo federal diz que números atualizados pelos dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), do Instituto IBGE (Brasileiro de Geografia e Estatística), fariam com que o tempo médio de estudos dos adultos brasileiros chegasse a 7,6 anos.

Outro indicador do IDH na área de educação é a expectativa de anos de estudo que uma criança em idade escolar pode ter. Em 1980, essa expectativa era de 9,9 anos. Passou para 14,3 anos em 2000 e chegou a 15,2 anos em 2013, conforme o IDH.

Entretanto, o MEC destaca que, com base nas estatísticas atualizadas da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), que incluem as matrículas de crianças de cinco anos que estão na pré-escola e dos adultos com mais de 40 anos que frequentam o ensino fundamental ou médio, o total de anos esperados de escolaridade entre os brasileiros mais novos passaria para 16,3.

As ponderaçõesforam feitas em entrevista coletiva concedida, em Brasília, pelos ministros Tereza Campello (Desenvolvimento Social e Combate à Fome); Arthur Chioro (Saúde) e Henrique Paim (Educação) na última quinta-feira (25).

Os ministros reclamaram que os dados utilizados no novo relatório do Pnud são de 2010 e foram compilados por órgãos internacionais, como o Banco Mundial. Nesse sentido, julgam que as informações do documento não refletem melhorias do Brasil reconhecidas em estudos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realizados nos últimos quatro anos.

Segundo os dirigentes, considerando as atualizações no desempenho da área, o IDH brasileiro subiria de 0.744 para 0.764. Com isso, o País saltaria da 79ª posição para a 67ª no ranking dos 187 países analisados.

Com dados atuais ou antigos, o indicador de tempo de escola sozinho está longe de ilustrar um bom desempenho de um País na educação.

— Num local de reprovação grande, evasão grande, indicador de anos esperados de escolaridade não quer dizer muita coisa, afirma o professor Luiz Araújo, da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília.

— Trabalhar com anos esperados de escolaridade num país onde você não consegue nem concluir o ensino obrigatório é uma medida que não reflete a realidade.

Ele lembra que desde a Constituição de 1969 existe a obrigatoriedade de oito anos de estudos completos.

— Levamos 40 anos para conseguir essa média. É mais razoável pensar em anos esperados de escolaridade onde você já estabilizou as matrículas, onde já existe fluxo escolar regular, sem grandes distorções, ressalta.

— Normalmente, trabalhamos com anos concluídos, que mostra o que realmente um brasileiro conseguiu concluir, completou.

Luiz Araújo destaca ainda que as escolas do Sudeste e do Sul puxam a média para cima.

Fonte: noticias.r7.com

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