Ibovespa tem terceiro pior mês do ano mesmo com alta de 1,23% nesta 6ª

29 de Novembro de 2013 19:52

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Ibovespa tem terceiro pior mês do ano mesmo com alta de 1,23% nesta 6ª

Índice repercute pessimismo com possível início de corte nos estímulos monetários do Fed e deterioração das contas públicas; imobiliárias e MMX lideram perdas do mês, enquanto Gafisa destoa com alta de 12% no período

SÃO PAULO - O Ibovespa conheceu seu sexto mês de queda no ano ao fechar novembro com baixa de 3,24%, a 52.482 pontos. Nem mesmo a alta de 1,23% desta sexta-feira (29) foi capaz de reverter o desempenho negativo do índice no mês, que foi fortemente impactado pelo pessimismo do mercado após as indicações da ata do Fomc (Federal Open Market Committee) sinalizarem para uma possível redução na política de estímulos à economia norte-americana ocorrer em breve, além dos indícios de deterioração da economia brasileira com a divulgação do pior superávit primário em outubro desde 2004. O volume financeiro negociado na Bovespa nesta sessão foi de R$ 5,41 bilhões.

Em novembro, mais uma vez a corda bamba da possibilidade de início do corte do QE3 – programa que consiste na injeção mensal de até US$ 85 bilhões no mercado dos EUA via compra de títulos públicos – teve forte participação no movimento do benchmark da bolsa brasileira. As sinalizações do Federal Reserve, que vieram após a divulgação de importantes indicadores norte-americanos acima do esperado pelo mercado, também repercutiram na cotação do dólar, que operou bastante volátil no período. Nesta sexta, a moeda norte-americana voltou a subir forte, fechando com alta de 0,93%, cotada a R$ 2,3385 na venda. A tendência de alta da divisa ocorre pela iminência de menor liquidez em economias emergentes, uma vez que o fluxo de investimentos deve retornar a potências como os EUA na medida em que a economia local se recupera e a taxa de juros volta a subir.

O pessimismo do mercado aumentou ainda mais nessa semana, quando o governo brasileiro apresentou o pior superávit primário em 9 anos, evidenciando os receios de que as contas públicas estariam se deteriorando. O indicador passou de resultado positivo de R$ 9,372 bilhões no mesmo mês do ano passado para R$ 5,436 bilhões este ano. Além disso, também impactou mexeu com a bolsa brasileira o julgamento dos bancos, que podia culminar em um rombo bilionário a ser pago pelas instituições financeiras por conta de planos econômicos nas décadas de 1980 e 1990.

Outro fator que marcou o mês foi a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) pela elevação da Selic - a taxa básica de juros - para o patamar de 10% ao ano e a indicação de que o ciclo de reajustes pode ter chegado ao fim.

Destaques do dia

Nesta sessão, chamou atenção o desempenho das ações da Petrobras (PETR3, R$ 18,32, +3,33%; PETR4, R$ 19,12, +2,47%), em meio a reunião realizada. A expectativa dos investidores era que fosse provada uma nova metodologia de reajuste, mas que seja concedida uma alta nos preços de combustíveis, o que é bastante esperado para que a companhia tenha um maior alívio em seu caixa.

Com as especulações sobre o reajuste de combustíveis da Petrobras, o índice apresentou poucas variações após a divulgação do resultado fiscal do governo central, que registrou o pior outubro da história com um superávit primário de R$ 6,188 bilhões. Vale ressaltar ainda a alta das bolsas norte-americanas, que fecharam próximo à estabilidade nesta sessão mais curta devido ao Black Friday; os índices Nasdaq e Dow Jones tiveram queda de 0,07%, enquanto o S&P subiu 0,38%.

Também chamaram a atenção as empresas do setor de papel e celulose. A Klabin (KLBN4, R$ 12,10, +1,73%) viu suas ações subirem e depois amenizarem ganhos em meio à notícia de aprovação do projeto de crescimento que poderá fazer a empresa dobrar de tamanho nos próximos três anos, conforme afirmou o CEO (Chief Executive Officer) Fabio Schvartsman. Além disso, a Fibria (FIBR3, R$ 27,79, +1,16%) informou no final da quinta-feira (28) que aderiu à modalidade de pagamento à vista concedida pelo governo de dívidas relativas a Imposto de Renda (IRPJ) e Contribuição Social (CSLL) e, com isso, suas ações registram alta de 1,82%, a R$ 27,97.

Ainda na ponta de cima, as ações da Vale (VALE3, R$ 35,87, +1,90%; VALE5, R$ 32,79, +1,52%) seguiram a forte valorização da véspera após também comunicar a adesão ao Refis. Além disso, duas ações do setor imobiliário também registram fortes ganhos: Gafisa (GFSA3, R$ 3,39, +3,99%) e MRV Engenharia (MRVE3, R$ 9,25, +3,35%), com altas superiores a 3%.

Enquanto isso, no mês, as maiores altas foram vistas pelos papéis das educacionais Kroton (KROT3, R$ 39,55, +1,88%) e Anhanguera (AEDU3, R$ 15,86, +1,93%), seguidas pelas ações da Gafisa, com altas de 19,86%, 18,36% e 11,88%, respectivamente.

Do outro lado, apenas 9 ações caíram nesta sessão. Dentre os destaques apareceram os papéis de MMX Mineração (MMXM3, R$ 0,67, -1,47) e B2W (BTOW3, R$ 14,05, -1,06%), com a primeira acumulando desvalorização mensal de 21,18%, a segunda maior do período.

Enquanto Gafisa foi um dos destaques de alta do mês, outras empresas do setor imobiliário apareceram entre as líderes de perdas no período, com Rossi (RSID3, R$ 2,16, 0,00%), Brookfield (BISA3, R$ 1,12, +0,90%) e PDG Realty (PDGR3, R$ 1,68, +0,60%) aparecendo no top 5 da ponta de baixo do Ibovespa em novembro. Nesta ordem, as desvalorizações mensais foram de 21,74%, 20,57% e 17,24%.

Ásia: Japão tem melhor mês de novembro desde 2005 No último dia útil de novembro, as bolsas asiáticas registraram uma sessão mista, com baixo volume e com os investidores aproveitando para realizar lucros. O índice Shangai fechou quase estável, mas terminando o mês com alta de 1,1%, enquanto o Shenzen teve ganhos de 0,9% nesta sessão.

Os investidores também se mostram mais cautelosos antes da divulgação dos dados oficiais do PMI (Índice de Gerente de Compras) industrial da China, que será feita no próximo domingo. Por lá, destaque ainda para a reafirmação da nota de crédito soberana AA+ do país pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, com perspectiva estável.

Destaque ainda para o noticiário corporativo, com as ações do setor defensivo registrando ganhos novamente, na perspectiva por gastos mais intensivos do setor.

O destaque segue para o Japão, cujo índice Nikkei teve o segundo melhor mês do ano em novembro, o melhor desde 2005, com ganhos de 9,3% - em abril, a alta foi de 12%, apesar de ter registrado queda de 0,4% na sessão desta sexta-feira. A alta segue o enfraquecimento do iene frente ao dólar, beneficiando as empresas exportadoras.

Por lá, chama a atenção o noticiário corporativo, com a divulgação dos números de inflação ao consumidor, que subiu 0,9% em outubro na base de comparação anual, conforme o esperado, enquanto a taxa de desemprego se manteve em 4% em outubro, um pouco acima da previsão de 3,9%, enquanto o PMI industrial avançou para 55,1 em novembro ante 54,2 no mês anterior. Porém, o indicador de produção da indústria decepcionou ao apontar para ganhos de 0,5% em outubro, frustrando as expectativas do mercado de alta de 2%.

Europa: revisão de ratings é destaque Enquanto isso, na Europa, as vendas no varejo da Alemanha caíram inesperadamente em outubro em 0,8% na comparação anual, segundo mês seguido de queda, com livrarias e joalherias registrando os recuos mais fortes, enquanto a Holanda teve seu rating cortado de AAA para AA+ pela S&P. Por outro, a mesma agência elevou a perspectiva de rating para a Espanha e elevou a nota de crédito para o Chipre de CCC+ para B-.

Além disso, a taxa de desemprego da zona do euro, que caiu 12,1%, com o número de desempregados recuando 61 mil em outubro. Também chama atenção os dados de inflação preliminar em novembro, que teve alta anual de 0,9%, em linha com a previsão do mercado.

Fonte: infomoney.com.br

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