Lagoa do Taquaral perdeu 2/3 da capacidade em 30 anos, diz Prefeitura

27 de Julho de 2014 13:56

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Lagoa do Taquaral perdeu 2/3 da capacidade em 30 anos, diz Prefeitura

Taquaral já teve 9 m, e hoje possui 3 m devido ao avanço do assoreamento.Pedalinhos só podem andar nas áreas demarcadas para evitar encalhar.

O tom esverdeado da água da Lagoa do Taquaral, um dos cartões postais de Campinas (SP), tem despertado curiosidade de quem visita o Parque Portugal. De acordo com a Secretaria de Serviços Públicos, a cor é resultado da proliferação excessiva de algas, uma situação comum no inverno em locais represados, mas que tem se agravado nos últimos seis anos devido à falta de chuva e ao assoreamento, que é o acúmulo de resíduos no fundo da água. A administração municipal admite que em 30 anos a lagoa perdeu 2/3 de sua capacidade.

"Me dói ver a lagoa assim. Antes ela era limpa, agora só tem lodo, está rasa. Parece que ninguém cuida", desabafa o aposentado Estevam Basseto, de 81 anos, que há mais de 40 anos frequenta o parque.

A aposentada Leonilda Melotti, de 66 anos, que há mais de 35 anos caminha todas as manhãs no entorno da lagoa, também acredita que o espaço não tem recebido o tratamento adequado nos últimos anos. "Eles deixaram um pouco de cuidar da água. Aí essas algas sobem e a gente vê os peixinhos querendo o oxigênio que eles não têm. Será que não dá para filtrar ou sugar como se faz com uma piscina?", questiona.

Água verde De acordo com o gerente da Cetesb em Campinas Hélio Ungari, a Lagoa do Taquaral tem um histórico de proliferações de algas e ocorrências de cianobactérias [algas azuis] por possuir condições favoráveis como água parada, luminosidade intensa e muita matéria orgânica em decomposição depositada no fundo. Essa massa vai se assentando e deixando o local cada vez mais raso. Esse processo é conhecido como assoreamento.

A Cetesb ressaltou ainda que as cianobactérias são conhecidas como potenciais produtoras de toxinas, sendo importante adoção de medidas de controle por parte da gestão do parque para evitar sua proliferação. Ainda segundo o especialista, é melhor evitar o contato com essa água turva. "Por inalação não há nenhum risco. Mas não é aconselhável colocar a mão e muito menos ingerir", explica Ungari.

Assoreamento Segundo o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, a última batimetria, que é o estudo feito para medir a profundidade de oceanos, lagos e rios, feita no Taquaral, mostrou que a lagoa enfrenta um processo avançado de assoreamento. "Ela tem 3 m. Há 30 anos ela tinha 9 m. Ela perdeu 200% de sua capacidade por causa do acúmulo de matéria orgânica no fundo, formou uma espécie de lodo, que alimenta essas algas", explica.

Ainda de acordo Paulella, essa redução na profundidade resulta também em menos espaço para contenção das águas das chuvas. "Quando chove todos os detritos de dez bairros descem para a lagoa, pois ela tem uma função de piscinão. Ela precisa armazenar para evitar enchentes na região do Taquaral", afirma.

Outro efeito colateral do assoreamento é a restrição da área para passear de Pedalinho. Segundo a Prefeitura, até 1995 era possível ir de um ponto ao outro da lagoa, mas devido ao acúmulo de matéria orgânica e dos bancos de areia que se formaram nos últimos anos, desde então, o visitante só pode andar nos locais de maior profundidade, que são demarcados por boias, para não encalhar.

"Tem muita areia no fundo e por baixo da 'nata' de sujeira formam ilhas. Já teve acidente com pedalinho", relembra a aposentada Sumir Murayama, de 78 anos, que mora na região.

Risco de sumir A situação da lagoa é tão delicada que até as crianças já estão preocupadas com seu futuro. Em uma reportagem especial para o aniversário de Campinas, uma estudante de 10 anos chegou a dizer ao G1 que o espaço desapareceria em 30 anos. "No futuro, Campinas vai ser bem diferente, vai ter mudado muito. Eu acho que quase não vai existir o Taquaral. Se existir, eles vão tirar a lagoa, vão tirar um monte de coisas de lá", disse a pequena Júlia.

No entanto, Júlia não fez uma previsão muito distante da realidade. Segundo a administração municipal, se nada for feito e continuar chovendo pouco, a lagoa corre mesmo risco de desaparecer em menos de 30 anos.

De acordo com o secretário de Serviços Públicos, para deixar a lagoa como ela era antes, será necessário um investimento de R$ 20 milhões e dois anos de trabalho. "Ela corre risco de entupir, então para retirar o material acumulado vamos precisar tirar 25 mil caminhões de lá. Já existe um estudo técnico junto ao governo do Estado e a limpeza deve começar até o final do ano", explica Paulella.

"A lagoa é o Central Park de Campinas, nosso único cartão postal, então temos que cuidar. Tem que ter a conservação diária. A gente paga imposto para isso", destaca a aposentada Leonilda.

Fonte: g1.globo.com

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