Motorista que matou mulher tinha habilitação vencida, diz delegado

21 de Novembro de 2013 23:06

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Motorista que matou mulher tinha habilitação vencida, diz delegado

Carteira Nacional de Habilitação estava vencida desde julho, disse policial. Suspeito é procurado em SP para responder por atropelamento com morte.

O motorista do carro que atropelou e matou uma mulher na madrugada desta quarta-feira (20), na Zona Norte de São Paulo, estava com a habilitação vencida. De acordo com o delegado Marcel Druziani, do 7º Distrito Policial, na Lapa, Zona Oeste da capital, a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do pedreiro Vagner Fraga Ferreira, de 28 anos, venceu em julho deste ano.

Dono do Fiat Stilo amarelo que atingiu e matou Jéssica Bueno Rodrigues da Silva, de 22 anos, Ferreira é suspeito de ter assumido o risco de matar a jovem. Ele é procurado para ser indiciado pelo crime. Apesar disso, não deverá ser preso porque o prazo da prisão em flagrante expirou.

“Ele nem deveria estar dirigindo. Para dirigir, precisaria ter renovado a sua CNH, mas não tinha feito isso”, disse o delegado Marcel Druziani na tarde desta quinta-feira (21) ao G1. “Dirigir sem habilitação não é crime, mas quem é pego recebe uma punição administrativa, passível de multa.”

Diante disso, o delegado afirmou que, após concluir o inquérito, irá encaminhar um pedido ao Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) para que o órgão suspenda a habilitação de Vagner. “Apesar de a carteira dele estar vencida, ele ainda possui habilitação. Por isso, a investigação vai pedir a suspensão da sua CNH porque entende que ele não tem mais condições de dirigir.”

De acordo com investigadores, o Fiat Stilo de Vagner foi financiado e tem cerca de R$ 300 em multas de trânsito ainda pendentes. Eles não informaram quais foram as infrações cometidas.

Indiciamento

Como a Polícia Civil entende que Vagner assumiu o risco de matar Jéssica, o motorista deverá ser indiciado por homicídio por dolo eventual. “Mesmo sem ter tido a intenção de matá-la, ele assumiu esse risco diante das provas que colhemos”, afirmou Druziani, que também poderá responsabilizá-lo por tirar racha e fuga de local de acidente sem prestar socorro à vítima.

Segundo o delegado, as provas contra o proprietário do Fiat Stilo são depoimentos que relatam que ele participava de uma corrida ilegal com outros veículos, avançou o sinal vermelho e atingiu a vítima que estava na faixa de pedestres na Avenida General Edgar Facó, na região de Pirituba.

Com o impacto, o corpo de Jéssica atravessou o para-brisa, destruiu o teto solar e ficou preso dentro do carro. O automóvel ainda percorreu cerca de 200 metros até parar, sobre a Ponte do Piqueri, onde foi abandonado pelo condutor e outros dois ocupantes que não prestaram socorro à vítima, segundo testemunhas.

Apontado como o motorista que atropelou e matou Jéssica, Vagner teve, além do nome, sua foto divulgada à imprensa. Quem tiver informações sobre seu paradeiro pode ligar sem se identificar para o Disque-Denúncia, telefone 181.

Procurado

Apesar de ser procurado, Vagner Ferreira deverá ser liberado para responder pelos crimes em liberdade. Segundo o delegado, pela lei expirou o prazo para que ele fosse preso em flagrante.

“Ele só seria preso nas seguintes condições: se estivesse no local do atropelamento ou se a polícia soubesse onde ele está. Em outras palavras, o flagrante perdura em perseguição real. Quem acha que flagrante tem horário acredita numa lenda", disse. "Portanto, se soubéssemos onde ele está ainda poderia haver o flagrante, mas como não sabemos, ele terá de ser localizado, levado a delegacia, responsabilizado e liberado para responder em liberdade”, explicou Druziani.

De acordo com o delegado, um homem o procurou na noite de quarta se identificando como sendo o advogado de Vagner. “Ele me disse que seu cliente está tenso e que iria se apresentar na delegacia nos próximos dias”, disse o delegado. O nome do defensor não foi informado. A equipe de reportagem também não conseguiu localizar o suspeito ou algum representante seu para comentar o assunto.

Liberdade

Questionado se poderia pedir a prisão preventiva do motorista após seu indiciamento, para que ele ficasse detido até eventual julgamento, o delegado respondeu que não. Segundo Druziani os crimes que o suspeito irá responder teriam pena inferior a 8 anos de reclusão numa eventual condenação. A mãe e o irmão do suspeito deverão ser chamados para prestar depoimento à polícia.

O Fiat Stilo continua apreendido no pátio da polícia. Investigadores buscam câmeras de segurança que possam ter gravado o atropelamento. O objetivo é dar elementos suficientes para a Polícia Técnico-Científica aferir a velocidade do veículo no momento do impacto.

Testemunhas que estavam com Jéssica e viram o acidente disseram que o automóvel estava a mais de 100 km/h numa via onde a velocidade máxima permitida é de 60 km/h. “Da forma como foi é possível até que estivesse a 120 km/h”, disse o delegado. “É preciso aguardar os laudos periciais.”

O corpo de Jéssica foi enterrado na tarde de quarta-feira no Cemitério Nova Cachoeirinha, na região norte da cidade. Ela tinha uma filha de 4 anos, fruto de um relacionamento anterior. Seus planos eram de se casar com o noivo Geyvysson dos Santos, de 20 anos, no final de 2014.

Ela seguia com o noivo e mais dois casais de amigos para um show sertanejo. Jéssica estava feliz e iria comemorar seu novo emprego. Deveria ter começado a trabalhar como operadora de telemarketing nesta quinta-feira.

Fonte: g1.globo.com

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