Novas montadoras no Brasil vão gerar excedente de 1,6 milhão de veículos

24 de Novembro de 2013 14:56

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Novas montadoras no Brasil vão gerar excedente de 1,6 milhão de veículos

Excesso de capacidade produtiva ocorrerá em 2015, calcula estudo divulgado pela PwC

A chegada de novas montadoras ao País vai gerar excesso de capacidade produtiva calculado em cerca de 1,4 milhão de veículos (sem contar caminhões e ônibus) em 2017, projeta a Pricewaterhouse Coopers (PwC). A sobra chegará a 1,6 milhão de unidades em 2015, mas depois deve cair para pouco mais de 1 milhão de unidades em 2019.

A PwC calcula que, em 2017, as fábricas terão estrutura para produzir 6,1 milhões de veículos, volume que praticamente será mantido dois anos depois.

Já a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê capacidade de 5,7 milhões de veículos até 2017, ante demanda de 4,6 milhões, incluindo caminhões e ônibus, o que resultaria numa sobra de 1,1 milhão de veículos. Hoje, diz a entidade, sobram 700 mil.

"O excesso será maior justamente no segmento de compactos", diz o sócio da PwC, Ricardo Pazzianotto. É nessa faixa que o volume de produção é maior. Já o segmento de luxo, que está atraindo três novas marcas ao País – Audi, BMW e Mercedes-Benz – não corre o risco de excesso de capacidade.

Esse nicho deverá triplicar de tamanho em quatro anos, para cerca de 100 mil unidades, segundo as fabricantes. Juntas, as três marcas alemãs anunciaram planos de produção de 78 mil veículos ao ano. Ainda haverá os importados e a Land Rover, que também fará veículos de luxo, mas da categoria de utilitários-esportivos.

"Sem dúvida será uma briga forte, mas saudável", diz o presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Philipp Schiemer. O presidente da GM América do Sul, Jaime Ardila, também aposta em dias difíceis. "É possível que o setor opere com ociosidade e vai haver guerra de preços".

No mundo todo, já estão sobrando neste ano 24,8 milhões de veículos, resultado de uma capacidade instalada de 105,8 milhões de unidades, e produção esperada de 81 milhões. O número supera em 1,8 milhão de veículos a ociosidade de 2012. Para 2014, o quadro só piora: a sobra sobe para 27 milhões de unidades.

Segundo a PwC, o cenário só melhora em 2019, quando o excesso global de capacidade cairá para 22,6 milhões de veículos, ante uma produção estimada de 106 milhões de unidades. "De 2006 para 2019, cerca de 50 milhões de veículos terão sido acrescentados à capacidade produtiva mundial, o equivalente a 350 novas plantas para 150 mil veículos cada", compara o consultor Marcelo Cioffi.

"Houve um crescimento desarmônico", constata. Ajudarão a reduzir a conta da ociosidade em 2019 a continuidade do crescimento dos mercados emergentes e a recuperação dos Estados Unidos e da Europa. Além da melhora nas vendas, os dois blocos promoveram importantes reestruturações que incluíram o fechamento de fábricas.

Só no Estado americano de Michigan, onde está Detroit, considerada a cidade dos carros, havia 19 fábricas de veículos em 2002, número que dez anos depois caiu para 12. "Houve redução do número de fábricas, mas aumento de produtividade", informa Cioffi.

Fonte: economia.ig.com.br

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