Roraima seria 'braço' de facção criminosa, apontam PF e MPE

29 de Setembro de 2014 22:51

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Roraima seria 'braço' de facção criminosa, apontam PF e MPE

Facção atuaria em crimes de tráfico de drogas, homicídios e roubos em RR.Líderes de organização deverão ser transferidos para fora do estado.

Após 74 mandados de prisão expedidos para pessoas suspeitas de envolvimento com uma organização criminosa que estaria atuando dentro e fora do sistema prisional em Roraima, o Ministério Público do Estado (MPE) afirmou que Roraima seria um "braço" de uma facção criminosa de atuação nacional. O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (29), em Boa Vista, como parte da Operação Weak Link.

Segundo o delegado da PF, Agostinho Cascardo, os mandados estão sendo cumpridos dentro e fora dos presídios, não apenas em RR, e em mais 48 horas deverão estar concluídos. Dos 74 mandados de prisão, dois são para outros estados, um para São Paulo e outro para o Paraná. Apenas três dos suspeitos não teriam passagem pelo sistema prisional, mas manteriam alguma relação com os presos.

"A ideia é desarticular a organização criminosa no estado, além das prisões, uma das possibilidades é encaminhar os líderes para fora do estado. Isso já foi pedido e agora aguardamos a decisão da justiça", explicou Cascardo. Ainda conforme ele, cerca de 20 pessoas, identificadas como os "cabeças" da organização, poderão ser tranferidas para presídios fora do estado.

De acordo com o promotor de Justiça Heveraldo Cerutti, a organização criminosa estaria se estruturando rapidamente no estado, pois em um curto período de tempo, durante os nove meses de duração da investigação, o número de membros da facção cresceu significativamente.

"No começo haviam apenas dois "batizados" [membros oficiais da organização] e agora temos esse número altíssimo. Essa organização estava determinando a prática de vários crimes graves dentro e fora do sistema prisional. Tráfico de drogas e associação ao tráfico, acerto de contas, homicídio, roubos, inclusive com essa modalidade conhecida como "saidinha de banco", com ramificações até mesmo dentro de instituições financeiras", destacou.

Cerutti enfatizou que a importância da operação para desarticular a organização dentro do estado foi confirmada por alguns áudios cedidos pela PF. "Em alguns desses áudios os 'cabeças' falam da importância do estado de Roraima para a organização criminosa por causa da proximidade com os países vizinhos, Venezuela e Guiana Inglesa", disse.

Investigação Além da facção criminosa alvo da Operação Weak Link, existiriam mais duas organizações criminosas atuando dentro e fora dos presídios de Roraima. Conforme o promotor de Justiça Marcos Antônio Azeredo, o Ministério Público Estadual vem investigando a existência dessas facções desde de dezembro de 2009, a partir de informes do Ministério Público de São Paulo.

"A existência de três organizações criminosas em Roraima é motivo, inclusive, de homícidios dentro e fora do sistema prisional em virtude do espaço que cada um busca angariar no estado. A busca pelo poder, pelo comando do tráfico de drogas e a prática de inúmeros crimes no estado", comentou.

A ligação de Roraima com facções criminosas nacionais teria tido início com a tranferência de dois detendos para um presídio em Rondônia (RO). "No presídio federal de Rondônia, eles tiveram contato com a cúpula nacional e foram 'batizados'. Quando retornaram para Boa Vista, em 2013, eles começaram a difundir a doutrina da organização criminosa e, rapidamente, se estruturaram e a chegaram nesse número de 95 membros", comentou. Ambos os detentos responderiam por crime de tráfico de drogas.

Fonte: g1.globo.com

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