Dos uniformes aos pênaltis: jogos da Copa viram drama para daltônicos

13 de Julho de 2018 16:11

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Dos uniformes aos pênaltis: jogos da Copa viram drama para daltônicos

Quando Rússia e Arábia Saudita entraram em campo na abertura da Copa do Mundo no dia 14 de junho, até 9% da população mundial sofreu para identificar os dois times dentro de campo. O motivo: as cores dos uniformes.

Os russos jogaram de vermelho, enquanto os sauditas vestiram verde, o que dificultou a vida de quem sofre de daltonismo, distúrbio que interfere na distinção das cores e atinge em torno de 9% das pessoas no mundo, sendo 8% homens. São três as variantes: protanopia (vermelho vira tons de bege, marrom ou cinza), deuteranopia (verde vira marrom) e tritanopia (tons de azul e amarelo viram rosa).

No Twitter, algumas pessoas reclamaram das cores da estreia. “Eu estava vendo o jogo em uma baixa qualidade de vídeo, e as cores estavam muito claras. No movimento rápido do jogo, eu via as camisas da mesma cor. Fazia a diferença dos jogadores pela cor do calção”, disse o estudante Victor Gabriel, de 23 anos, ao UOL Esporte. Para piorar, ele assistiu ao jogo pela internet.

Depois daquela partida, Arábia Saudita e Egito jogaram de verde e branco, respectivamente, e evitaram que a situação se repetisse caso a seleção egípcia tivesse jogado com seu uniforme 1, que é vermelho. Dias depois, porém, o problema voltou quando a Alemanha, com uma camisa em tons de verde, enfrentou a Coreia do Sul, vestida de vermelho.

“Por que a Alemanha está jogando de verde e não de branco? Completamente desnecessário, considerando que a Coreia do Sul está de vermelho. Alguém não pensou nisso. Nenhuma consideração com os daltônicos.”

Outros jogos tiveram reclamações de daltônicos nas redes sociais, como foram os casos de Senegal (verde) x Colômbia (amarelo), Inglaterra (vermelho) x Suécia (amarelo) e até mesmo em jogos do Brasil de amarelo, principalmente na derrota contra a Bélgica, que vestiu laranja escuro.

O problema com os uniformes atingiu até mesmo um jogador antes de a Copa começar. No último amistoso antes do Mundial, a Dinamarca, de vermelho, enfrentou o México, de verde, e confundiu a cabeça de Thomas Delaney. O meia dinamarquês participou de um programa de rádio e, ao se identificar apenas como “Thomas”, falou do problema.

“No outro dia em campo, foi um pouco difícil para ver quem estava no meu time e quem não estava”, disse, antes do apresentador questionar: “em qual time você joga?”. Delaney surpreendeu ao responder: “na seleção dinamarquesa”.

De acordo com o podcast Totally Football Show, a queixa do jogador deu resultado, já que a Austrália topou usar seu uniforme verde escuro (o principal é amarelo) contra a Dinamarca, que vestiu branco, justamente para ajudar Delaney no duelo entre os dois países na Copa.

A dificuldade no Mundial para quem sofre de daltonismo também passa pelas disputas por pênaltis. Isso porque as cobranças convertidas por uma seleção são assinaladas em verde pela transmissão na TV, enquanto as erradas ficam em vermelho.

“Quem achou que era uma boa ideia usar verde e vermelho para exibir os pênaltis na Copa do Mundo? É um pesadelo se você é daltônico!”

Por mais que as queixas dos daltônicos não sejam novas e já venham de Copas passadas, a Fifa ainda não encontrou uma grande solução, e, por enquanto, a responsabilidade de buscar se adaptar é apenas de quem sofre deste distúrbio.

“Do ponto de vista do daltonismo, você tem uma lente de contato que realça as diferenças, mas não custa barato, além de óculos especiais, que são desenvolvidos para melhorarem as escalas de cores. O problema é que eles custam uma nota preta. A população não tem acesso. Esses óculos devem custar até 1200 dólares (cerca de R$ 4,6 mil) na internet”, explicou Milton Ruiz Alves, professor associado de Oftalmologia da Faculdade de Medicina da USP.

O problema das cores, porém, não é exclusividade das competições de futebol. O mesmo já aconteceu na NFL (liga de futebol americano dos EUA), quando daltônicos tiveram dificuldade com alguns dos uniformes da temporada 2015/16 - exemplo de Buffalo Bills e New York Jets, que jogaram de vermelho e verde. A resposta encontrada na temporada seguinte foi colocar sempre uma equipe de branco em partidas entre times que poderiam usar cores que comprometem a visão.

Fonte: esporte.uol.com.br

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