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Políticos do RS são citados em delação de diretor da JBS

19 de Maio de 2017 22:28
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Delator cita Alceu Moreira (PMDB-RS), Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Jerônimo Goërgen (PP-RS) e os ex-deputados federais Paulo Ferreira (PT-RS) e Beto Albuquerque (PSB-RS)

Pelo menos cinco políticos do Rio Grande do Sul receberam pagamentos de vantagens indevidas da JBS em troca de apoio, conforme depoimento do diretor da empresa Ricardo Saud à Polícia Federal durante a Operação Lava Jato (veja no vídeo).

O delator cita os deputados federais Alceu Moreira (PMDB-RS), Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Jerônimo Goërgen (PP-RS) e os ex-deputados federais Paulo Ferreira (PT-RS), ex-tesoureiro do partido, e Beto Albuquerque (PSB-RS). Ele se refere aos pagamentos como um "reservatório da boa vontade".

"É para o cara [político que recebe o dinheiro] não chatear e nem nos atrapalhar", explica Saud. Segundo ele, em troca dos valores, os políticos deveriam "apoiar o Grupo [JBS], não deixar ninguém falar mal do grupo."

Parte dos pagamentos, segundo o delator, foi feita pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli. "Ele já foi do Ministério da Agricultura, é um cara do bem, muito ligado a eles e sempre ajudava."

Saud não cita detalhes e nem o valor do pagamento feito, segundo ele, a Beto Albuquerque. Apenas afirmou que o ex-parlamentar integrou a lista de pagamentos da empresa.

"Vou fazer aqui para você agora partidos que nós demos dinheiro, para quem foi, por que foi, e vamos chegar a esses que estou te falando, vamos chegar até no vice da Marina Silva, que aí o Beto Albuquerque foi ser o vice da Marina e foi interino presidente do PSB", afirma.

Em relação aos outros políticos citados, Saud cita de forma resumida valor dos pagamentos e a forma. Segundo ele, Alceu Moreira recebeu R$ 200 mil em espécie de Camardelli. O dinheiro, segundo ele, foi solicitado pelo próprio parlamentar.

"O Alceu Moreira pediu ao Camardelli, que é um companheiro nosso, e depois eu estive com ele, conversei com ele na Câmara", contou.

Assim como Moreira, Saud diz que Onix Lorenzoni recebeu R$ 200 mil após ter pedido a ele. O dinheiro foi entregue em notas no Rio Grande do Sul por Camardelli no dia 12 de setembro de 2014, ainda de acordo com o delator.

A Jerônimo Goërgen, o diretor da JBS conta que o grupo pagou R$ 100 mil no dia 12 de setembro de 2014 no Rio Grande do Sul. Segundo ele, dinheiro também foi entregue por Camardelli.

Já o pagamento de R$ 200 mil feito a Paulo Ferreira, segundo conta o executivo, foi realizado por uma gráfica de Porto Alegre no dia 2 de outubro de 2014.

Em entrevista à RBS TV, Lorenzoni assumiu ter recebido doações irregulares da JBS, mas disse que o valor era inferior aos R$ 200 mil citados por Saud. Ele afirma que, na ocasião, não tinha como declarar o valor na Justiça Eleitoral.

"Cabe-me, sim, com altivez, como um homem deve fazer, que assumi meu erro e pedir desculpas ao eleitor. A verdade tem que ser o caminho para o Brasil se reencontrar com aquilo que o Brasil quer, um Brasil limpo e correto, e quero dizer que essa responsabilidade será assumida diante do Ministério Público e do Judiciário", disse.

Por meio de nota, Goërgen afirmou que as doações que recebeu pela JBS foram devidamente declaradas na Justiça Eleitoral, e que não tratou de pagamentos com Camardelli. "O único contato que eu fiz [com Camardelli] foi assim: 'olha, se tiver alguém que possa colaborar na campanha, avisa'. Contato feito por telefone ou email, não lembro."

Também em nota, Alceu Moreira disse ter convicção da licitude de suas condutas, e garante que os valores recebidos durante a campanha em 2014 foram de forma regular e declarados à Justiça Eleitoral.

Contatados pela reportagem, Antônio Jorge Camardelli e a assessoria de imprensa de Beto Albuquerque não se posicionaram. Paulo Ferreira não foi localizado.

Fonte: g1.globo.com

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