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Prisão preventiva para Keiko Fujimori e seis assessores por caso Odebrecht

24 de Novembro de 2018 21:37
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A Justiça peruana pôs fim neste sábado (24) a um mês de audiências contra a cúpula do partido Força Popular (oposição), que acabou com sua líder, Keiko Fujimori, e seis coacusados em prisão preventiva por receber aportes ilegais da empreiteira brasileira Odebrecht.

A ordem judicial de captura internacional e prisão contra o ex-secretário-geral do partido, Jaime Yoshiyama, e o impedimento de saída do país do assessor Augusto Bedoya, encerraram um mês de audiências e resoluções judiciais contra 11 investigados da formação.

"A prisão preventiva se torna indispensável para conjurar o risco no processo, conforme evidenciado na conduta de Yoshiyama de eludir a Justiça", declarou o juiz Concepción Carhuancho, ressaltando a presença do investigado nos Estados Unidos.

Yoshiyama atuou como secretário-geral do partido fujimorista na campanha presidencial de Keiko Fujimori em 2011, na qual disputou a vice-presidência do Peru.

Além de Yoshiyama, que se recupera em Miami (Flórida, EUA), de uma cirurgia oftalmológica, segundo seu advogado, o juiz Richard Concepción Carhuancho determinou o impedimento de saúda do país por 36 meses de Augusto Bedoya. O empresário integrou o comando de campanha e foi do círculo de confiança de Keiko nas eleições presidenciais.

Sete dos onze acusados deverão passar 36 em prisão preventiva, depois que o juiz declarou fundamentadas as alegações da promotoria de que existe "risco de fuga e obstrução da justiça" neste caso que desperta grande interesse midiático.

A Odebrecht, segundo declaração de seu diretor no Peru, Jorge Barata, financiou com 1,2 milhão de dólares a campanha de Keiko, fiha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000).

O promotor de lavagem de dinheiro, José Domingo Pérez, sustenta que Yoshiyama e Bedoya receberam cada um meio milhão de dólares para a campanha. Os demais 200.000 dólares, a Odebrecht destinou a um fundo comum de empresários que apoiavam Keiko.

O Peru é um dos países da América Latina mais afetados pelo escândalo de corrupção da Odebrecht. A empresa admitiu ter pago propinas a autoridades peruanas na ordem de pelo menos 29 milhões de dólares a partir de 2004.

Também são investigados pela Justiça peruana no caso Odebrecht os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kczynski (2016-2018).

A pedido do promotor Pérez, outro tribunal proibiu há uma semana que o ex-presidente Alan García (1985-1990 e 2006-2011) deixe o país durante 18 meses, ao ampliar as investigações do caso Odebrecht, após o que o ex-presidente entrou na embaixada do Uruguai em Lima e pediu asilo político.

Além de Keiko Fujimori, estão presos seus assessores, Vicente Silva Checa, Pier Figari, Ana Herz e Luis Mejía Lecca.

Sobre dois acusados, Jaime Yoshiyama e Giancarlo Bertini, decidiu-se ainda por ordem de captura internacional.

Os outros quatro acusados ficaram em liberdade provisória e com proibição de deixar o país. Um deles, um sobrinho de Jaime Yoshiyama, chegou a um acordo de colaboração com a promotoria, em troca de uma redução de acusações contra ele.

As audiências começaram em 24 de outubro, quando o promotor anticorrupção José Domingo Pérez sustentou o pedido de prisão preventiva para todos os investigados.

A promotoria acusa 11 membros da cúpula do partido fujimorista Força 2011 (agora Força Popular), de formar "uma organização criminosa" dentro da formação para captar recursos ilícitos destinados a financiar a campanha presidencial de Keiko.

Keiko Fujimori, de 43 anos e mais velha dos quatro filhos do ex-presidente Alberto Fujimori, está detida desde 31 de outubro. Seus advogados apelaram da decisão judicial e ela nega ter recebido recursos da Odebrecht.

Se ficar presa 36 meses, estará fora das eleições presidenciais de 2021, às quais aspira a disputar em sua terceira tentativa de chegar à Presidência peruana desde 2011.

Paralelamente, Keiko deve enfrentar uma complexa crise interna em seu partido monolítico, que pode levar a um racha.

Keiko liderava o partido de forma autocrática, enquanto sua bancada, com ampla maioria no Congresso desde 2016, atacava sem piedade seus adversários.

Evidências de liderar por dois anos uma oposição obstrucionista e acusações de corrupção derrubaram sua popularidade e Keiko adotou um surpreendente tom conciliador, propondo "paz e reencontro" dias antes de ser presa preventivamente.

Fonte: anoticia.clicrbs.com.br

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