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O que a Heineken ganha ao comprar a Brasil Kirin

14 de Fevereiro de 2017 09:48
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O que a Heineken ganha ao comprar a Brasil Kirin

Acordo deve diminuir guerra de preços no mercado de cervejas

Nesta segunda-feira (13/02), a Heineken anunciou a aquisição da Brasil Kirin por 664 milhões de euros (US$ 704 milhões). O negócio é grande não só pelo valor, mas também porque promete mudar o mercado de cervejas no Brasil — o terceiro maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Agora, o país ganhará um player com mais peso para fazer frente à Ambev — que domina as vendas de cerveja no país. Para os consumidores, isso pode significar preços mais estáveis, ou seja, menos promoções à vista.

Com o acordo, a Heineken, que hoje tem 6,8% de participação de mercado, segundo a Euromonitor, passa a 19% e a ser a segunda maior empresa do setor no Brasil, desbancando a Petrópolis, atualmente com 11,9% das vendas. A holandesa ficaria atrás apenas da gigante Inbev, que domina o mercado com 63% de participação. A Brasil Kirin, com as marcas Devassa, Schin, Glacial, Eisenbahn e Baden Baden, atualmente é a terceira da lista, com 11,9% de participação de mercado.

Uma consolidação no mercado já era esperada. Num setor amplamente dominado pela Ambev, os concorrentes da gigante estavam muito pulverizados. “A Ambev possui entre 50% e 60% de market share e as três outras marcas [Petrópolis, Kirin e Heineken] estão fracas. Você tem, na prática, uma empresa que faz dinheiro e outras que têm muita dificuldade”, avalia Antonio Barreto, analista da Itaú BBA Corretora. Segundo ele, a aquisição da Brasil Kirin é positiva para o mercado, pois permite que as empresas menores operem com rentabilidade maior.

Com menos empresas, diminui a competição no mercado. Analistas do Bradesco BBI, em relatório, avaliam que para a Ambev o acordo é positivo no curto prazo, uma vez que “a Heineken deve adotar uma postura mais racional de precificação, acabando com a atual guerra de preços”.

Barreto, do Itaú BBA, também considera que a guerra de preços vai, no mínimo, diminuir com a saída dos japoneses da operação da Kirin. “A Brasil Kirin passava por um momento de redução de preços para ‘reganhar’ participação de mercado”. Agora, com o mercado mais consolidado, a pressão diminui. “Essa mudança favorece uma estabilidade maior dos preços em relação ao cenário que tínhamos ontem, antes de fusão”, diz Barreto.

Nelson de Sousa, professor de Finanças do Ibmec/RJ, também avalia que a aquisição pode significar preços mais estáveis. “Os japoneses tinham como política participar do mercado ativamente. Agora haverá quase um monopólio entre Heineken e Ambev”.

Os analistas do banco UBS ressaltam que a aquisição coloca a Heineken na segunda posição em um dos mercados de cerveja mais lucrativos do mundo, “com significativas oportunidades regionais, particularmente no segmento premium, que é o de mais rápido crescimento”. A expansão da Heineken fortalece a capacidade da empresa de se beneficiar da tendência de aumento do consumo de cervejas premium no Brasil — espera-se que o segmento seja o de maior crescimento entre 2015 e 2020.

Este é um ponto importante na compra da Brasil Kirin. Com ela, a Heineken aumenta sua plataforma em marcas premium, com a Baden Baden e a Eisenbahn, e diminui sua dependência da marca Heineken — mais cara que as mais populares. Isso não é pouca coisa. De acordo com a Euromonitor, a aquisição poderia aumentar os lucros da empresa e dobrar o tamanho das operações no país.

“O foco da Heineken no Brasil é em valor, mais do que volume, e o avanço no segmento premium até agora se provou bem sucedido”, afirma a analista de pesquisa especializada em bebidas alcoólicas da Euromonitor International, Anna Ward. Segundo ela, a Heineken foi a marca premium de maior crescimento em 2015 no Brasil e manteve uma trajetória de alta acima de 10%.

Barreto, analista do Itaú BBA, também avalia que a Heineken ganha espaço no segmento premium, onde a Brasil Kirin tem marcas reconhecidas, como a Eisenbah e a Devassa. Elas ajudarão os holandeses a competir com as muitas opções oferecidas pela Ambev. Entre elas, Bud, Stella, Corona, Brahma Extra, Boêmia, Original, Serra Malte.

A Heineken ganha ainda participação no Nordeste com a marca Schin. Segundo a Brasil Kirin, a Schin é a segunda maior marca no Nordeste. O UBS, em relatório, reconhece a oportunidade de expansão no Norte e Nordeste do país como um ponto positivo da compra.

Analistas do Bradesco BBI chamam atenção para o fato de que a Heineken ganhará mais plantas no Brasil: a Brasil Kirin opera 12 unidades produtivas, especialmente no Norte e Nordeste do país, enquanto a Heineken trabalha com apenas cinco plantas, além da distribuição em parceria com a Coca-Cola. Para eles, porém, a questão da distribuição será um desafio, já que a Brasil Kirin trabalha com aproximadamente 180 distribuidores independentes.

E a Petrópolis, como fica nesse novo cenário? Jogada para o terceiro lugar em participação de mercado, ela deve ficar mais enfraquecida frente aos dois primeiros players. “Mas a Petrópolis não tem uma maneira arriscada de trabalhar, não possui uma operação que trabalha em escala e tem um público cativo, de nicho”, lembra Nelson de Sousa, do Ibmec. “É claro que a situação nova não é confortável, mas não acredito que ela ganhe uma ameaça a mais”, diz.

Fonte: epocanegocios.globo.com

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