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Seca nos reservatórios faz energia elétrica dar um salto

24 de Outubro de 2017 17:19
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O adicional cobrado nas contas de luz dos brasileiros quando for acionada a bandeira tarifária vermelha nível 2, como acontece neste mês, passará a ser de R$ 5 a cada 100 kilowatts-hora consumidos, ante R$ 3,50 atualmente. A decisão foi tomada, nesta terça-feira, pela diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A alta de mais de 40% no adicional faz parte de um conjunto de alterações nas regras das bandeiras tarifárias proposto pela Aneel em reunião nesta terça-feira. A proposta foi colocada em audiência publica, mas entrará em vigor em novembro em regime excepcional, segundo a agência. O setor busca adequar a bandeira tarifária às necessidades para poupar água dos reservatórios de hidrelétricas e garantir recursos para cobrir custos das termelétricas, acionadas em períodos de seca.

— A medida já deverá impactar os consumidores em Novembro, uma vez que a previsão é de que o próximo mês continue com bandeira tarifária vermelha nível 2, a mais cara —disse um dos diretores da Aneel, Tiago de Barros.

Pelos cálculos da consultoria Thymos Energia, os reservatórios das hidrelétricas do país devem chegar a novembro com 16% do volume máximo. Trata-se de um cenário pior que o de 2001. Na época, houve racionamento de energia. Diante do quadro, há o risco de um novo racionamento de energia, embora tenham entrado em operação as termelétricas; entre outras fontes alternativas de energia. Segundo o engenheiro João Carlos Mello, presidente da Thymos, o país vive “um ano que vem com potencial de manutenção do estresse hidrológico”.

Outros economistas trabalham com um cenário de manutenção do preço de liquidação das diferenças (PLD) próximo do teto regulatório de R$ 533 por megawatt-hora (MWh); até o período chuvoso. Este se inicia a partir de dezembro. A bandeira tarifária deve ficar entre vermelha e amarela, dificilmente voltando a ser verde.

Em relação a novembro, ainda segundo analistas há maior probabilidade de manutenção da bandeira vermelha no patamar 2. Esse nível de alerta para o consumidor foi acionado pela primeira vez em outubro; desde sua criação, no início do ano passado.

O site do Climatempo também trabalha com o cenário de manutenção da cobrança extra no próximo mês. Mantém a expectativa, apesar de contar com um retorno das chuvas em novembro. Até lá, as termelétricas mais caras tendem a garantir o suprimento energético do país.

A empresa de previsão meteorológica prevê um retorno gradual das chuvas a partir de novembro. “Porém, isso vai diminuir a geração eólica no Nordeste, que está muito alta”, disse Alexandre Nascimento, meteorologista do Climatempo.

Por isso, deve ser necessária a continuação do despacho de termelétricas, justificando a manutenção da bandeira vermelha. Segundo Nascimento, mesmo com o retorno das chuvas, a situação dos reservatórios só começará a mostrar melhora dentro de algumas semanas. “A geração eólica vai ter uma redução grande, que será mais rápida que a recomposição dos reservatórios”, disse ele.

Já considerando a piora do cenário hídrico em suas estimativas, analistas de inflação mantiveram suas projeções para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Tanto para este ano quanto para o próximo. Eles contam com a manutenção da bandeira vermelha no patamar 2 até o fim de 2018. Márcio Milan, da Tendências Consultoria, já assume que a bandeira tarifária seguirá na cor atual. Tende a permanecer assim nos últimos dois meses do ano. E está aguardando a revisão dos cálculos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para alterar sua previsão para o aumento do IPCA no próximo ano, atualmente em 4,1%.

A mudança de metodologia de definição das bandeiras pela autarquia aguarda audiência pública pela diretoria da Aneel, nesta quarta-feira; André Muller, da AZ Quest, afirma que os reajustes periódicos das distribuidoras também representam risco de alta para a inflação de 2018.

A grande questão do número de energia no ano que vem não é tanto o sistema de bandeiras; mas o que vai sobrar para os reajustes tarifários feitos pelas empresas — disse a jornalistas.

Fonte: correiodobrasil.com.br

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