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Temer diz compartilhar da indignação 'mais que razoável' da população com a delação da Odebrecht

16 de Abril de 2017 05:26
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Presidente reconheceu que não conta com grande apoio da população: 'Estou governando apoiado pelo Congresso Nacional. Sei que meu índice de popularidade é pequeno'. Temer deu entrevista à Band na noite deste sábado (15).

“Quando você vê uma lista com 200 nomes – e agora se alardeia que tem mais 200 nomes –, você tem muita gente do Congresso, você tem ex-presidentes, você vê governadores, você tem uma multidão”, afirmou Temer sobre o número de políticos citados por ex-executivos da Odebrecht. “A indignação é verdadeira, e eu compartilho essa indignação. Eu não faço uma crítica à indignação que a população sente, é mais que razoável. É legítima porque é quase, digamos assim, assustador.”

O presidente é citado em pedidos de abertura de dois inquéritos relacionados às delações da Odebrecht, mas tem 'imudidade partidária' e não pode ser investigado por crimes que não aconteceram durante o exercício do mandato.

“Estou governando apoiado pelo Congresso Nacional. Sei que meu índice de popularidade é pequeno, a imprensa também não me dá grande apoio. O grande apoio que eu tenho é pelo Congresso Nacional. Consegui aprovar coisas que estavam paradas lá há muito tempo”, afirmou.

Ao ser questionado sobre as repercussões das delações da Odebrecht, o presidente repetiu a linha de defesa que já vem adotando recentemente.

O presidente voltou a confirmar ter participado de uma reunião com o ex-executivo da Odebrecht Márcio Faria, em 2010, mas disse que sempre foi comum receber diversos empresários que contribuíam para campanhas do PMDB, pois era presidente do partido, e que o executivo fez questão de apertar sua mão e lhe fazer elogios, mas que em nenhum momento eles discutiram valores, contratos ou “temas escusos”.

Sobre a presença de oito ministros de seu governo na lista de investigados, após autorização do ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF, Temer afirmou que vai manter a linha de corte que já havia anunciado, de afastar temporariamente aqueles que forem denunciados e demiti-los caso a Justiça aceite a denúncia. “Se confirmado réu, o afastamento é definitivo.”

O presidente destacou que o processo é longo e que os ministros seguem nos cargos até que a denúncia seja aceita, “mas pode acontecer também que o próprio se sinta desconfortável e queira sair”.

Reafirmando ser contra a anistia ao caixa 2, o presidente disse ser preciso avaliar a punição aos empresários envolvidos nos esquemas de corrupção. “Uma coisa é dirigente, outra é empresa. Temos empresas com participação no cenário internacional intensa, no nacional também. Se houver penação ela deve ser sobre os dirigentes e não a empresa”, disse o presidente, que se dispôs a criar leis para isso. “Se for necessária uma nova legislação, eu edito. Precisamos de uma segurança jurídica para quem quer seguir com seus negócios”.

Temer também afirmou que que não atuou pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), de quem era vice, pois o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha – hoje preso – agiu por conta própria, não para beneficiá-lo.

Temer aproveitou a entrevista à Bandeirantes para alfinetar o ex-presidente do Senado e atual líder da bancada do PMDB na Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), que era aliado do governo, mas passou a criticar Temer nas últimas semanas e chegou a comparar seu governo à seleção de Dunga, dizendo que o país precisava de um governo estilo Tite. “O Renan é de idas e vindas, ele vai e volta. Acho que ele quis ter seus momentos de Felipão e isso lembra um pouco o 7 a 1 da Alemanha”.

Fonte: g1.globo.com

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